Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Plano da Petrobrás prevê corte de até 40% nos investimentos até 2019

Novo orçamento da estatal para cinco anos deve cair de US$ 220 bilhões para US$ 130 bilhões; foco dos projetos estará concentrado na exploração e produção de petróleo e gás natural, enquanto os projetos de abastecimento serão abandonados

Fernanda Nunes, Mariana Durão, Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 05h00

RIO - O corte no plano de investimentos da Petrobrás para o período de 2015 a 2019 ficará próximo a 40%, com o novo orçamento em torno dos US$ 130 bilhões, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No ano passado, quando a empresa ainda era presidida por Graça Foster, a meta de investimento era de US$ 220,4 bilhões em cinco anos. Mas, diante das dificuldades financeiras da petroleira, a nova gestão preferiu adotar uma redução drástica do orçamento, em linha com o que espera o mercado. 

A proposta será analisada pelo conselho de administração na sexta-feira, mas é possível que o colegiado não chegue a uma conclusão e a divulgação do valor seja adiada. Os membros do colegiado podem precisar de mais de um encontro para chegar a um número definitivo. 

“Um corte de 30% a 40% ajudaria a empresa a melhorar a situação financeira com impacto de curto prazo. Seria a principal sinalização para retomar a credibilidade, já que um corte menor traria impacto sobre o rating (classificação de risco) da companhia. Com menos investimento, a empresa reduz também o potencial de receitas futuras”, avaliou Walter de Vitto, da consultoria Tendências.

Apesar dos conselheiros indicados pela União conseguirem aprovar sozinhos o plano de negócios, o projeto encontra resistência entre os sindicalistas representantes dos trabalhadores, que ameaçam entrar em greve e interromper a produção, caso os cortes e a venda de ativos sejam tão grandes a ponto de configurar o que, segundo eles, seria uma “privatização disfarçada” da empresa. A decisão será tomada nesta quarta-feira, em reunião na sede da CUT, no Rio.

Argumentação. Na tentativa de vencer a resistência, a diretoria da petroleira iniciou, na semana passada, uma série de encontros com sindicatos para argumentar sobre a necessidade dos cortes, incluindo o de pessoal, que deve atingir principalmente os terceirizados. O argumento é que falta dinheiro e não há saída senão encolher a Petrobrás. A empresa deixará de ser uma empresa de energia, integrada, com atuação do poço ao posto, para se tornar uma companhia, prioritariamente, de exploração e produção de petróleo e gás natural. 

Nas conversas, executivos da petroleira insistem com os sindicalistas que, nos últimos anos, os ganhos da Petrobrás vieram com o crescimento da dívida. Por isso, a ordem agora é cortar o mal pela raiz e fortalecer o caixa, para que, nos próximos dois ou três anos, a estatal volte a ter recursos para ampliar os investimentos. 

O plano de negócios traz projeções pessimistas para o dólar e para a cotação internacional do petróleo, que só dificultam a execução dos projetos da empresa. Quanto mais valiosa a moeda americana em relação ao real, mais a empresa gasta para importar combustíveis. Ao mesmo tempo, quanto menor o preço do barril, menos valem os ativos da companhia. 

Daqui para a frente, a Petrobrás vai focar na atividade de exploração e produção e abandonará projetos dos segmentos de abastecimento. Algumas áreas de exploração e produção também serão oferecidas ao mercado. A estatal se voltará para o pré-sal, onde o custo de extração é hoje inferior ao de outras reservas e, por isso, é mais rentável, mesmo em períodos de baixa cotação do petróleo. 

Por enquanto, não há perspectiva de o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) - que prevê mudanças na Lei da Partilha - ter grande efeito no plano de negócios da empresa. Qualquer mudança na legislação pesará sobre projetos que estão por vir e ainda não estão no radar de investimentos. Hoje, a lei obriga a estatal a participar em pelo menos 30% de todo investimento no pré-sal. 

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