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Plano da Petrobrás prevê dois anos de austeridade e volta ao crescimento em 2019, diz Parente

Executivo afirmou que novo planejamento prevê condições para a estatal voltar a crescer em condições saudáveis

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 12h15

A síntese do novo plano da Petrobrás, segundo o presidente Pedro Parente, é um período de mais austeridade nos próximos dois anos, para permitir um novo crescimento a partir de 2019. Segundo o executivo, a companhia poderá crescer em "condições saudáveis" com o novo plano. Nesta terça-feira, a estatal anunciou o plano de negócios para o período 2017-2021, prevendo um corte de 25% nos investimentos.

"O plano tem dois anos de preparação, com mais aperto e mais austeridade para que a gente possa no final desses dois anos voltar a crescer em condições saudáveis", afirmou o executivo à imprensa.

Parente afirmou ainda que a revisão dos modelos de gestão da companhia permitirá um modelo de orçamento e cortes "não lineares". A revisão ocorrerá a partir de benchmark internacional, completou.

O presidente frisou ainda que a companhia poderá "considerar oportunidades no exterior tirando proveito das lições do passado".

Parente também afirmou que a empresa se prepara para atuar em atividades alternativas às atuais, de maior valor agregado, o que deve acontecer até 2021. Essas atividades são, segundo o executivo, mais estratégicas do que os negócios de fertilizante, biocombustível e participações em petroquímicas, por exemplo. "Precisamos nos preparar para negócios de maior valor agregado", afirmou Parente.

Rentabilidade. O diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, afirmou que o plano estratégico deixa claro que o foco agora é a rentabilidade. "É preciso ter a certeza de que cada real que vamos investir retornará como rentabilidade ao acionista", disse.

O executivo destacou a importância do programa de parcerias para o sucesso do pré-sal, com a associação de tecnologias e diluição de riscos. Reforçando o discurso da diretora de Exploração e Produção, Solange Guedes, ele garantiu que não há dúvida de que a curva de produção apresentada para o período será entregue.

De acordo com Monteiro, a companhia fará o possível para apresentar uma trajetória declinante de custos e dívida. "Seremos uma empresa muito mais eficiente e caberá ao programa de desinvestimentos dar uma grande contribuição para que possamos encurtar o colesterol ruim, que é a alavancagem", disse. A meta do plano de negócios é reduzir a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda de 5,3 vezes do fim de 2015 para 2,5 vezes até 2018.

Segundo o diretor, hoje o mercado está cobrando um prêmio que a companhia não pagará. Monteiro afirmou que a Petrobrás trabalha com nível zero de captações nesse período. Ao comentar o plano de negócios e estratégico, Monteiro frisou que ele foi desenhado com viés de conservadorismo para garantir que será cumprido.

Monteiro pontuou que a política de conteúdo local não pode ser sinônimo de reserva de mercado ou ineficiência. "Não há nada contra política de conteúdo local, desde que não perpetue ineficiências", afirmou, mencionando problemas com estaleiros envolvidos na Operação Lava Jato e as frustrações com investimentos como a Rnest.

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