Plano da Petrobrás terá venda de ativos

Planejamento para 2011/2015 prevê US$ 224,7 bilhões em investimentos; desinvestimento, incluído pela 1ª vez, está orçado em US$ 13,6 bilhões

Kelly Lima, Mônica Ciarelli e Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

Após dois vetos, foi aprovado ontem pelo conselho de administração, o Plano de Negócios da Petrobrás para o período 2011/2015, que prevê investimentos totais de US$ 224,7 bilhões, praticamente o mesmo valor em relação ao plano anterior, de US$ 224 bilhões, para 2010 a 2014. A estatal revelou que terá de vender ativos para poder financiar projetos que considera mais importantes.

O plano de desinvestimento, incluído pela primeira vez no planejamento estratégico, está orçado em US$ 13,6 bilhões, com o objetivo de dar "maior eficiência na gestão dos ativos da companhia e rentabilidade", conforme o comunicado divulgado ontem à noite. Como mudou a base cambial (de R$ 1,78 do plano anterior, para R$ 1,73 agora), em moeda nacional o orçamento caiu em quase R$ 10 bilhões.

A venda de ativos e os cortes de projetos resultam do fato de a Petrobrás estar impedida pelo governo de reajustar a gasolina e o diesel, que representam 60% da venda de combustíveis pela companhia. Como também fracassou na tentativa de elevar os investimentos até 2015, ela tomou a decisão, embora sem revelar quais os ativos cortados. Na primeira proposta, vetada pelo conselho, o investimento previsto era de US$ 268 bilhões.

Para 2011, a Petrobrás anuncia, a cinco meses do fim do ano, um reajuste para baixo dos investimentos, previstos no plano anterior em US$ 93 milhões e agora fixados em US$ 84,7 bilhões.

Foram retirados do plano projetos equivalentes a US$ 10,8 bilhões e acrescentados novos projetos, no valor de US$ 32,1 bilhões. A maior concentração dos investimentos permanece no setor de exploração e produção. Eles passaram de 53% no plano anterior para 57% no atual.

Os investimentos no pré-sal correspondem a 45% do valor orçado para exploração e produção no Brasil e cerca de 50% do montante reservado ao desenvolvimento da produção. Segundo a estatal, a participação do pré-sal na produção nacional de petróleo passará da estimativa de 2% em 2011 a 40,5% em 2020.

O Plano de Negócios 2011-2015 prevê US$ 213,5 bilhões (95% dos investimentos) em atividades desenvolvidas no Brasil e os restantes US$ 11,2 bilhões no exterior, em 688 projetos (57% deles já autorizados para execução e implementação).

"Os recursos adicionais necessários para o financiamento do plano serão captados exclusivamente através da contratação de novas dívidas junto às diversas fontes de financiamento que a companhia tem acesso no Brasil e no exterior, e não contempla emissão de ações", informa a Petrobrás no texto do fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Inflação. A aprovação do plano foi bastante problemática. Por duas vezes (em maio e junho), o conselho, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou a proposta da diretoria da estatal, sob o argumento de que é preciso limitar investimentos, para evitar o risco de crescimento da inflação.

O controle inflacionário é uma diretriz do governo Dilma Rousseff. O primeiro plano vetado propunha quase US$ 50 bilhões a mais do que os US$ 224 bilhões do período 2010-14. A ordem de Mantega foi para que a Petrobrás diminuísse o valor.

O ministro e presidente do conselho de administração não se satisfez com a segunda proposta. Referendado pelos demais conselheiros, vetou-a, ordenando ao presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, e aos diretores que se adequassem à política governamental.

Quanto à meta de produção para 2011, a companhia manteve em 2,1 milhões de barris por dia e a de produção total de óleo e gás no Brasil e exterior em 2,772 milhões boed (barris de óleo equivalente/dia). A meta de produção total para o horizonte de cinco anos apresentou um aumento em relação ao plano anterior, alcançando 3,993 milhões boed em 2015, sendo 3,070 milhões de bpd de produção de óleo no Brasil (543 mil boed do pré-sal).

A meta de longo prazo cresceu de 5,382 milhões boed para 6,418 milhões boed em 2020 (4,910 milhões bpd referente à produção de óleo no Brasil). Segundo a estatal, o aumento se deve basicamente ao crescimento da produção esperada do pré-sal e o início da produção nas áreas da cessão onerosa, realizada no processo de capitalização de 2010.

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