Plano da Rússia inclui integração com Europa

Medvedev planeja investir em tecnologia e atrair pessoal das melhores universidades; presidente russo também propõe institucionalizar o Bric

Rolf Kuntz, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

A Rússia planeja fazer um acordo de integração com a União Europeia, criar um espaço econômico unificado entre o Atlântico e o Pacífico, privatizar empresas no valor de dezenas de bilhões de dólares, facilitar o investimento externo, converter Moscou num centro de finanças, investir amplamente em tecnologia e atrair pessoal das melhores universidades, disse ontem o presidente Dmitry Medvedev na sessão oficial de abertura do Fórum Econômico Mundial.

Além disso, ele propôs a transformação do Bric, com inclusão da África do Sul, numa instituição operativa. O Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) ainda é, na prática, pouco mais que uma sigla criada há cerca de dez anos pelo economista Jim O"Neill, do banco Goldman Sachs.

Medvedev usou sua participação em Davos como resposta política ao atentado no aeroporto de Moscou, onde uma explosão matou pelo menos 35 pessoas e feriu cerca de uma centena. Ele disse ter mantido a viagem para mostrar a disposição do governo russo de não se curvar ao terrorismo. Atentados, acrescentou, podem ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar.

O presidente e fundador do Fórum, Klaus Schwab, convidou o auditório a se levantar, no início da sessão, para homenagear as vítimas do ataque terrorista. Medvedev apenas cancelou sua participação num debate hoje e voltou a Moscou ontem à noite.

A maior parte de seu discurso foi sobre economia e especialmente sobre os planos de seu governo. O mundo terá uma recuperação econômica mais lenta do que todos desejavam, disse Medvedev, mas os problemas não serão superados com soluções "simples e populistas", como a estatização de bancos.

Segundo ele, a superação da crise será dificultada, também, porque governos muito endividados e com grandes déficits fiscais hesitam em cortar os gastos. Elogiou, no entanto, os propósitos de austeridade apresentados pelo presidente americano, Barack Obama, em sua mensagem sobre o estado da nação.

Os planos do governo russo correspondem quase a uma segunda reforma econômica e política. Deu razão a quem critica a Rússia pelas deficiências do regime, pela corrupção e pelas falhas do sistema judicial. Mas o governo, acrescentou, está empenhado em cuidar de todos esses problemas. Enfatizou o compromisso com a democracia e defendeu liberdade no uso dos sistemas de comunicação em rede.

As mudanças econômicas incluirão nova rodada de privatizações nos próximos três anos e novas ações de atração de capital. Uma fundação será criada para partilhar riscos com investidores estrangeiros. O programa inclui facilidades fiscais para investimentos de longo prazo e para desenvolver o sistema financeiro, com a transformação de Moscou num centro de finanças.

O governo também pretende associar a Rússia à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A política industrial deverá incentivar a transferência e a produção de tecnologia. O setor energético deverá ser um dos motores principais da inovação.

Nos próximos dez anos, cerca de 10 milhões de pessoas deverão obter diplomas de mestrado e de doutorado. O governo pretende atrair especialistas de todo o mundo, reconhecendo unilateralmente diplomas das universidades de grande prestígio.

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