Plano da VarigLog é "frágil", afirma BR

A presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster, considera "frágil" o plano apresentado pela VarigLog para assumir a Varig, no que diz respeito às garantias de pagamento aos débitos acumulados antes do processo de recuperação judicial da companhia aérea, iniciado há um ano. Avaliando que a situação da empresa hoje é "bem mais tranqüila" do que há duas semanas, ela argumenta que, como um dos principais credores, a BR ainda não teve acesso ao detalhamento do plano. "Temos a visão de um mosaico: várias peças, que vamos juntando para levar a uma configuração. A parte do pagamento de créditos em debêntures é o que me parece frágil", diz a executiva.Segundo ela, a Varig não tem nenhum débito com a BR, além dos R$ 57 milhões subscritos no processo de recuperação. Depois disso, todo o combustível fornecido à companhia foi quitado e mesmo os recebíveis que a Varig utilizou como moeda de pagamento já foram convertidos e entraram no caixa da distribuidora. Hoje, a negociação entre as duas empresas está sendo feita com pagamento prévio de 24 horas. Mas, na fase mais difícil, o abastecimento chegou a ser negociado para um período de apenas seis horas."Nesse período todo de relação com a Varig, tivemos as mais diferentes formas de fechar relação comercial. A negociação diária foi, muitas vezes, dividida em três etapas. Nos momentos mais críticos, fizemos transação para oito, seis horas de combustível. Hoje, as coisas estão acontecendo de forma bastante previsível. E tudo o que foi vendido, foi pago. A Varig não deve a nós, neste período, absolutamente nada. Todos os centavos foram pagos. Foi uma experiência difícil. Mas, como a vontade era tão grande dos dois lados, as coisas se saíram muito bem", relata Maria das Graças, acrescentando que não há ainda condição de negociar a entrega que combustível por um período maior.Como um dos principais credores da Varig, a BR, subsidiária da Petrobrás, terá um grande peso na avaliação da proposta da VarigLog. A aprovação pelos credores é pré-requisito para a realização de um novo leilão. Por enquanto, porém, Maria das Graças não sabe se o voto da BR será favorável ou não. Segundo ela, falta o conhecimento "específico, detalhado" do plano da VarigLog. "O que vimos foi um esboço de proposta e não sei se é viável ou não. Não tenho todos os elementos para saber. Torço para que seja", afirmou.Varig antiga Para ela, tão importante quanto assegurar a saúde financeira da Varig nova, que será administrada pelo vencedor do leilão, é garantir fluxo de caixa à Varig antiga, que herdará a dívida R$ 7,9 bilhões, "que permita honrar compromissos na ordem em que lá estão. O credor tem a sua posição na fila. Esperamos que tudo isso esteja bem amarrado, bem consolidado. Temos analisado essas propostas com muito boa vontade, mas tem de haver responsabilidade", declarou.De qualquer forma, pelo menos por enquanto, o fantasma da suspensão no fornecimento do querosene de aviação, que chegou a ser cogitado algumas vezes, está afastado. "Cheguei aqui no dia 2 de maio e este período todo tem sido de que todos os dias é o Dia D da Varig. A fase hoje é outra. A relação ainda tem sido de que todo dia é um dia diferente, mas num período de mais calma do que foi aquele de duas, três semanas atrás, em que estávamos extremamente preocupados. Porque queremos a Varig voando".

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