Plano de banda larga do governo não existe, diz Oi

Presidente da Andrade Gutierrez, uma das controladoras da Oi, critica lista estabelecida pela Telebrás

Karla Mendes, Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) não existe, na opinião de Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, um dos controladores da Oi. "O que temos é a decisão do governo de desenvolver um plano", disse ontem, durante o evento Futurecom.

Ele destacou que um plano tem de definir a que se destina, com custo e investimentos determinados, o que não existe no PNBL. "É preciso definir para qual demografia e para qual geografia", completou.

O executivo, que foi vice-presidente da Telebrás antes da privatização, disse que a lista de 100 cidades que serão atendidas pela estatal não parece coerente com o "mapa da pobreza" no Brasil.

"Essa lista não pode ser chamada de plano", disse Azevedo. Segundo ele, 72% das cidades da lista já têm quatro plataformas de prestação de serviço de banda larga em atividade, e 83% têm três. A Telebrás foi reativada para ser gestora do plano.

Ele afirmou que o PNBL é mais um plano da Telebrás do que um plano nacional. "Temos um plano da Oi", ressaltou Azevedo. "No começo do ano que vem, vamos oferecer banda larga em todos os municípios de nossa área de concessão."

A Oi é concessionária em todos os Estados, menos São Paulo. Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil, disse que a Telefônica atende todos os municípios de São Paulo com banda larga desde 31 de março.

O presidente da Andrade Gutierrez afirmou que não vê nada de errado na ativação da rede óptica do governo, gerenciada pela Telebrás. "Não vejo nenhum motivo para criticar uma ação política do governo, e não é por ser concessionária." Ele reconheceu, no entanto, ser "muito incômodo" para uma concessionária criticar o governo.

O governo é acionista da Oi, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão de estatais. O governo federal chegou a mudar a regulamentação do setor para permitir que a empresa comprasse a Brasil Telecom, em 2008.

Dificuldade. O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, reconheceu que está "cada vez mais difícil" o cumprimento da meta de interligar as 100 cidades anunciadas como piloto do PNBL até o fim do ano. "Estamos trabalhando para chegar o mais próximo possível." Ele evitou, porém, explicitar se a estatal já tem um plano B, como a redução do número de municípios a serem cobertos ou prorrogação do prazo. "Na hipótese de haver algum atraso, temos de ver o que vamos fazer", disse. Santanna se referiu à hipótese de algum questionamento judicial dos editais de licitação, o que, segundo ele, não ocorreu até agora. "O primeiro leilão já ocorreu e o 2.º é amanhã (hoje)", afirmou.

Ele explicou que, no leilão de equipamentos de infraestrutura, já finalizado, a primeira colocada pediu para ser desclassificada por ter errado na cotação. Por conta disso, estão sendo analisadas as propostas da 2.ª e 3.ª colocadas, o que segundo ele "é normal" que ocorra nos pregões eletrônicos.

Santana explicou que o segundo leilão, porém, que prevê a contratação de equipamentos DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing) teve de ser adiado para amanhã porque houve um erro no cadastramento no sistema da Telebrás.

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