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Plano de contingenciamento para crise da Varig está pronto

Em recuperação judicial há quase um ano, o destino da Varig parece ser o de sair aos poucos sair do mercado. Foi essa impressão que prevalecia hoje, depois que dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) passaram o dia reunidos com presidentes e representantes de todas as empresas aéreas regulares concorrentes da Varig. Na mesa, estava a definição de detalhes do plano de contingenciamento que deverá ser implementado imediatamente se a empresa em crise parar de voar. "A Varig está minguando", constatou um dos participantes da reunião. No final da tarde, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, voltou a admitir que existe um plano de redistribuição das rotas da Varig e de atendimento aos passageiros, mas negou-se novamente a detalhar qualquer ponto. "Não vou dar uma única vírgula porque não queremos criar uma situação de pânico", afirmou. Estiveram na Anac os presidentes da Gol, Constantino Junior; da Ocean Air, German Efromovich; da BRA, Humberto Folegatti; e os diretores da TAM, Paulo Castelo Branco; e da Webjet, Paulo Henrique Coco, além de representantes da Trip e da Total. Eles tiveram reuniões em separado com diretores e técnicos da agência. No meio do dia, segundo participantes, Zuanazzi deixou a Anac para informar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, sobre o andamento das conversas. Já estaria acertado, por exemplo, que a TAM herdará os destinos europeus, como Alemanha, Espanha e Itália, além dos Estados Unidos. A Gol ficaria encarregada da maior parte das rotas para os países da América do Sul e a BRA assumiria os vôos com destino a Lisboa. No mercado interno, a situação é considerada menos crítica.InteressesSegundo fontes envolvidas nas discussões, essa divisão foi feita a partir do interesse de cada empresa em expandir suas operações internacionais. Por causa do agravamento da crise da Varig, as concorrentes fariam uma antecipação dos seus planos de aumento de rotas internacionais. A Varig é hoje a empresa brasileira que mais detém autorizações para voar para outros países, somando cerca de 75% do total de destinos estrangeiros.Em rápida entrevista, Zuanazzi não confirmou as informações e também negou a conversa no Palácio do Planalto. Segundo ele, os dados do setor aéreo têm que ser atualizados diariamente, daí a necessidade das reuniões com as empresas.Cancelamento de vôosSobre os cancelamentos de vôos da Varig que se intensificaram nos últimos dias, o presidente da Anac disse que a empresa está cumprindo as obrigações quando essa situação acontece. "Ela (Varig) tem endossado todos os bilhetes e proporcionado hospedagem aos passageiros quando necessário", afirmou. Segundo Zuanazzi, não houve uma recomendação formal da Anac às concorrentes para que aceitem os passageiros da Varig porque isso "não é necessário, pois é uma prática normal no mercado aéreo".Interlocutores dos empresários, no entanto, contaram que existe uma preocupação da agência nesse sentido e houve um "apelo" da diretoria do órgão regulador para que o realocamento dos passageiros aconteça com o mínimo de prejuízo aos consumidores. Formalmente, a Anac ainda aguarda uma decisão do juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Federal do Rio, sobre o destino da Varig para comentar publicamente suas ações.ProconTécnicos e diretores da Anac também conversaram ontem com dirigentes do Procon de São Paulo, que queriam esclarecer as dúvidas sobre como serão honrados bilhetes comprados e milhagens acumuladas pelos clientes da Varig em caso de falência da companhia aérea. Zuanazzi afirmou que não participou dessa reunião, mas comentou que milhagem é um contrato firmado entre determinada empresa aérea e usuários, sugerindo que não seria uma obrigação a ser honrada por outra companhia. "É como um upgrade, um brinde", comentou.No caso dos bilhetes emitidos, o entendimento dos Procons, surgido à época da paralisação da Transbrasil, é que as agências de turismo é que devem ressarcir os clientes, já que a maior parte das passagens aéreas vendidas pela Varig são feitas por meio dessas agências e não diretamente aos clientes pela internet.

Agencia Estado,

14 de junho de 2006 | 20h42

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