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Plano de déficit zero recebe apoio unânime em jantar

O plano de déficit nominal zero para as contas públicas, apresentado pelo deputado Delfim Netto (PP-SP), teve apoio unânime dos participantes do jantar oferecido ontem à noite pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Mas a maior preocupação foi com a capacidade do governo Lula de conseguir uma ampla maioria política neste momento de crise política para implementar a proposta ainda este ano. A maioria dos participantes do encontro, que reuniu em Brasília, ministros, empresários e parlamentares do governo e da oposição, ponderou as dificuldades para a construção de um pacto político suprapartidário em torno do projeto em meio às denúncias que abalaram o País. Enquanto a oposição cobrou uma "limpeza geral" nos gastos do governo e na máquina administrativa, os empresários pediram mais uma vez redução de juros e da carga tributária."O governo precisa acabar com muitos ministérios, muitos cargos comissionados, fazer uma limpeza geral, dizer que errou e que quer um pacto político. Se não houver isso, não existem condições e credibilidade para uma conversa que tenha conseqüências", avisou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos representantes da oposição que participou do jantar. Principal liderança da oposição presente no jantar, Tasso disse que o PSDB apoiaria um aumento da meta de superávit primário para a implantação do plano de déficit zero, desde que haja condições políticas. "O governo hoje não dá sinais de que é capaz de exigir e pedir qualquer tipo de sacrifício sem que ele corte a própria carne antes", cobrou.Apesar das restrições, o senador tucano afirmou que a discussão sobre o plano de déficit zero "veio para ficar" e que esse não é projeto de governo, mas de longo prazo para o País. "A discussão vai começar mais cedo ou mais tarde conforme o governo tenha o entendimento de que é necessário fazer uma reforma profunda na administração e na política", ressaltou.Convergência O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse que houve convergência no jantar de que o plano de déficit zero do deputado Delfim é uma proposta oportuna, mas ponderou as dificuldades de se criar um entendimento agora. "Não houve divergência de que o Brasil precisa adotar essa idéia, mas todos colocaram no jantar a preocupação com o ambiente político institucional e com as condições que poderiam ser criadas para viabilizar a proposta nesse momento de crise", disse Monteiro Neto.JurosO presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não perdeu a oportunidade e mais uma vez pediu redução dos juros altos e da carga tributária , que segundo ele são a conseqüência dos gastos elevados do governo. Para Skaf, há necessidade de medidas "exemplares" do governo no controle dos gastos e redução do desperdício e de um "choque de gestão" nas contas da Previdência Social. "O que nós precisamos não é só estabilizar a carga tributária, mas reduzi-la. Também precisamos de uma redução drástica dos juros. Não adianta ficar discutindo superávit primário. Temos de pagar a conta toda, inclusive os juros e sobrar", afirmou Skaf. Ele ressaltou que para o "bem do Brasil" a proposta do déficit zero tem de ser viabilizada.Menos otimista, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) foi mais duro ao alertar que não é possível avançar na proposta, sem antes se encontrar uma saída para a crise política. "A proposta pode ser boa, mas a questão principal no momento não é econômica, é política", disse. "No momento temos de discutir uma saída para a crise política que o governo se meteu por causa da corrupção", afirmou. Com opinião contrária, o ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Jacques Wagner, acha que a crise oferece uma oportunidade para discutir a proposta com a sociedade. "Os chineses dizem que os momentos de crise oferecem as grandes oportunidades de salto. A crise política tem a sua dimensão e está sendo tratada. O que estamos discutindo aqui é muito mais estrutural da economia para a sociedade. A crise não interfere. Pelo contrário, é uma agenda positiva", afirmou. Proposta simplesApesar das dificuldades políticas apontadas durante jantar para a implantação do plano de déficit zero, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, saiu otimista do encontro com os empresários e parlamentares. Segundo ele, a proposta "vai sair" esse ano. "Tem o sentimento que vai sair e temos condições de aprová-la", disse. Ele alertou, no entanto, que a proposta precisa ser simples e não pode ter mais de "cinco a seis pontos". O ministro chegou a citar alguns dos pontos que devem ser incluídos no projeto: estabelecimento de limites para o aumento dos gastos, tratamento da questão de pessoal, discussão sobre vinculação de despesas, choque de gestão e melhoria dos gastos. "Esse encontro foi importante, porque o Delfim (deputado Delfin Neto, autor da idéia) não trouxe uma proposta pronta. O ideal agora é começar a afunilar para propostas que sejam concretas e de consenso", disse.Paulo Bernardo contou que o Ministério do Planejamento já está trabalhando numa proposta. "Mas antes de chegar e apresentar uma proposta pronta, como um prato feito, é melhor conversar mais com a sociedade", disse.ConsensoO ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, destacou que no jantar "ninguém" falou contra a proposta de déficit zero, mas muitos participantes do encontro ponderaram as dificuldades políticas para se construir uma maioria. "Há posição majoritária de que é preciso visar o consenso. O governo está na mesma posição", disse.Além do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jacques Wagner, foi o segundo representante do governo a falar depois do jantar. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixaram o encontro sem dar entrevistas. Dilma disse apenas que a proposta do déficit zero é interessante. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, convidado para o jantar, também não deu declarações.

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