Plano de investimentos da Rumo ALL deve ultrapassar R$ 7 bilhões até 2019

Grupo Cosan, novo controlador da companhia, tem pela frente o desafio de recuperar a reputação da ALL

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2015 | 02h06

A Rumo ALL, controlada pelo Grupo Cosan, divulgou ontem seus planos de investimento de expansão na companhia ferroviária. Para os próximos 18 meses, os aportes previstos são de R$ 2,8 bilhões. Outros R$ 4,6 bilhões serão injetados até 2019, totalizando R$ 7,4 bilhões.

Com boa parte de sua malha ferroviária deteriorada, reflexo da falta de manutenção nos últimos anos, a América Latina Logística (ALL) está altamente endividada. O desafio do novo controlador é recuperar a reputação da ferrovia, que corre o risco de ter sua nota de crédito rebaixada pela agência de classificação Moody's, e torná-la lucrativa.

O foco dos controladores nos 18 primeiros meses será no aumento de eficiência operacional e na redução de custos. O plano inicial prevê substituição e reforma de locomotivas e vagões, além de recuperação de vias, o que deve gerar ganhos de volume transportado, além de melhoria dos acessos aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Entre 2009 e 2014, a velocidade média dos trens que circulavam pela malha da empresa despencou pela metade e a companhia foi alvo de 300 autuações.

"Vamos trabalhar para colocar a companhia nos eixos", disse Júlio Fontana, presidente da Rumo ALL. A fusão entre ALL e Rumo, que foi aprovada pelo Cade em fevereiro, tornou a Cosan controladora da companhia. No atual bloco de controle, Cosan, TPG, Gávea e BNDESPar somam 42,2% de participação. O restante das ações está nas mãos dos antigos acionistas e em circulação no mercado.

Os outros R$ 4,6 bilhões que serão investidos na malha entre 2017 e 2019 estão condicionados às negociações para extensão do prazo da concessão da ferrovia (leia mais abaixo). Além dos R$ 7,4 bilhões previstos para expansão das operações entre 2015 e 2019, outros R$ 4,3 bilhões serão injetados até 2019 para manutenção da atual estrutura (o chamado investimento recorrente), totalizando R$ 11,7 bilhões até 2019.

Para a primeira fase de investimentos, cerca de 60% dos financiamentos previstos já estão contratados e o restante deve vir do BNDES, agências de crédito à exportação e Fundo Centro-Oeste. Já para a estrutura de longo prazo, a Rumo trabalha com a previsão de que 77% seja proveniente do BNDES e mercado de capitais, enquanto o restante virá de fontes como agências de apoio à exportação.

A expectativa dos atuais executivos é de que, no curto prazo, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresça R$ 500 milhões, ficando entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,2 bilhões até o fim de 2016. As projeções da companhia indicam que, a partir de 2017, já haverá geração positiva de caixa, levando em conta os resultados e a maturação do investimento do primeiro ciclo, atingindo Ebtida entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,5 bilhões ao fim de 2019.

Com os investimentos, a Rumo ALL pretende ampliar o transporte de grãos para exportação: de 22 milhões de toneladas, em 2014, para cerca de 39 milhões de toneladas em 2025.

Ações. Ontem, as ações da Rumo Logística caíram 9,7%, a R$ 1,49, liderando as perdas do Ibovespa. O plano de investimentos frustrou a expectativa da equipe de análise do Itaú BBA, que esperava um volume de investimento menor e estimativa de Ebitda maior.

No comando da empresa desde o início do mês, Fontana disse que trocou os principais executivos da companhia e dividiu as operações da ALL em duas (Norte e Sul) para dar maior celeridade às mudanças consideradas necessárias para a melhoria de resultados e de operações da companhia. /Colaborou Luciana Collet

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