Plano de negócios da Petrobrás propõe reajuste de 15% no preço dos combustíveis

O Plano de Negócios da Petrobrás, que será detalhado no próximo dia 25, traz uma recomendação de reajuste de 15% na remuneração que a companhia recebe por seus combustíveis, apurou o 'Estado'. Segundo fontes, este foi o porcentual que a direção executiva da Petrobrás apresentou como necessário para financiar o pesado plano de negócios da empresa, que prevê investimentos de US$ 236,5 bilhões até 2016, 5,2% a mais do que o do plano anterior (2011-2015).

SABRINA VALLE , VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h03

O porcentual, porém, serve apenas como um princípio previsto no plano e não garante reajustes. É pouco provável que um eventual aumento fosse autorizado neste patamar, de uma só vez, pelo governo, sócio majoritário, a quem cabe a decisão final. No documento, não há menção de data para o aumento de preços ou detalhamento entre diesel e gasolina, por exemplo.

Mesmo que fosse concedido, o montante seria insuficiente para anular a defasagem (17% na gasolina e de 21% no diesel) entre os preços internacionais de ontem e os praticados pela Petrobrás no mercado interno. "Mas o efeito seria enorme. Por exemplo, se fosse dado um reajuste para diesel e gasolina de 15% em 1.º de julho, o impacto anualizado no caixa seria de R$ 14 bilhões, quase metade de todo o lucro da Petrobrás no ano passado", exemplifica o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. "A Petrobrás já perdeu R$ 7,6 bilhões com a defasagem neste ano".

A recomendação de reajuste de 15% consta no texto aprovado e assinado na última reunião do conselho de administração da estatal, que teve apenas seu resumo divulgado na semana passada. Para frustração do mercado, não havia qualquer menção sobre reajuste de combustíveis, considerado fundamental para que a empresa consiga fazer frente aos vultosos investimentos previstos.

Sem confirmação. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, não confirmou a recomendação: "As recomendações que são feitas em vários segmentos do plano são reveladas na hora de sua revelação, na hora em que a gente abre o plano".

Uma das possibilidades em estudo para impedir repasse a índices de inflação é uma nova rodada de redução da Cide. O efeito do artifício, porém, está mais limitado desde que a diminuição deste tributo absorveu o reajuste, em novembro passado, do diesel (2%) e da gasolina (10%) vendidos pelas refinarias.

Também poderiam entrar no cálculo a recente desvalorização do petróleo no mercado internacional, a valorização do dólar e a possibilidade de aumento do porcentual de mistura de etanol à gasolina para até 25%, contra os 20% atuais. "A volta do etanol realmente é importante para que a gente tenha uma solução econômica mais adequada a quem tanto investe, como a Petrobrás", disse Graça ao Estado.

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