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Plano de Obama de taxar ricos é guerra de classes, diz republicano

''Regra Buffett'', que deve ser apresentada hoje quer taxar americanos que ganham mais[br]US$ 1 milhão por ano

Brian Knowlton e Jackie Calmes,, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

NEW YORK TIMES/ WASHINGTON

Os republicanos condenaram ontem a ideia de uma nova alíquota mínima de imposto que incide sobre os milionários como uma medida de "guerra de classes", dizendo que a proposta do presidente Obama pode ter como objetivo retratar os congressistas republicanos que se opuserem a ela como frios e indiferentes às dificuldades enfrentadas por tantos americanos.

O deputado Paul Ryan, presidente da Comissão Orçamentária da Câmara, disse que a proposta tributária que deve ser apresentada pelo presidente hoje também provocaria um pesado impacto numa economia em estagnação: "Isto traria mais instabilidade para o sistema, mais incerteza, e castigaria a criação de postos de trabalho", disse "Promover uma guerra entre as classes pode trazer bons resultados políticos, mas a economia sofre com isto."

A reação dos republicanos - Ryan não foi o único a falar numa "guerra de classes" - foi uma resposta à afirmação da Casa Branca segundo a qual Obama pediria que fosse cobrada uma nova alíquota mínima dos indivíduos cuja renda anual ultrapasse US$ 1 milhão para garantir que estes paguem sob a forma de impostos no mínimo a mesma proporção de sua renda que os contribuintes de renda intermediária.

Com uma comissão especial mista do Congresso dando início às tentativas de se chegar a um acordo bipartidário para o orçamento, a proposta acrescenta um novo elemento populista à tentativa de Obama de aumentar a pressão política sobre os republicanos para obrigar estes a concordar com a cobrança de impostos mais altos sobre os ricos em troca do apoio dos democratas a futuros cortes nos programas Medicare e Medicaid.

Obama, valendo-se de certa sagacidade política, planeja chamar sua proposta de "Regra de Buffett", referindo-se a Warren E. Buffett, o investidor bilionário que se queixou repetidas vezes de que os americanos mais ricos em geral pagam sob a forma de impostos uma proporção de sua renda muito inferior à paga pelos assalariados de renda intermediária porque os lucros com investimentos são menos tributados do que os salários.

O líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, disse no domingo que havia "oposição por parte de ambos os partidos com relação àquilo que o presidente está recomendando" porque a medida reduziria o crescimento em tempos difíceis.

Buffett. Ainda assim, "se Warren Buffett está ansioso para abrir mão de alguns de seus benefícios, estamos prontos para conversar a respeito disto", disse McConnell,

Obama não especificou de quanto será a alíquota nem forneceu muitos detalhes, e ainda não se sabe de que ordem seria o volume de arrecadação proporcionado pelo plano. Mas a ideia dele de uma faixa mínima de impostos para os milionários será um dos destaques de um plano mais amplo para reduzir o déficit no longo prazo que o presidente deve apresentar hoje.

A proposta pode atrair a análise crítica de economistas que questionaram a afirmação de Buffett segundo a qual os ricaços contribuem em impostos com uma proporção menor de sua renda do que os demais.

A proposta de Obama tem poucas chances de ser transformada em lei a não ser que os republicanos a aceitem. Mas, ao se concentrar nos americanos mais ricos, o presidente está acentuando o contraste entre democratas e republicanos. Trata-se de um tema que pode ser estendido até o momento da sua tentativa de reeleição, em 2012.

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