Plano de resgate vai definir futuro da Grécia

PARIS

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

O futuro da Grécia na zona do euro depende da aprovação no Parlamento de um pacote de austeridade de ? 28 bilhões e um programa de privatizações de ? 50 bilhões. Ontem, Atenas reconheceu pela primeira vez que, se o novo plano de resgate falhar, o país terá de abandonar a zona euro, medida inédita e com consequências imprevisíveis para a economia mundial. Mesmo confiante, a União Europeia (UE) se prepara para o pior cenário.

A admissão de que a Grécia vive sua última chance como membro da eurozona foi feita neste fim de semana por autoridades do governo. O objetivo das declarações é mobilizar os deputados pela aprovação das medidas. "Trata-se de uma votação extremamente crucial e nós acreditamos que os deputados da bancada governista assumirão suas responsabilidades", disse o porta-voz do governo, Ilias Mosialos.

O Partido Socialista grego (Pasok) tem 155 deputados de um total de 300. Mas no interior do partido há risco de defecções, tornando a votação dramática.

Para Evangelos Venizelos, ministro de Finanças e número 2 do Pasok, a aprovação acontecerá porque "é uma escolha estratégica nacional permanecer na zona euro". Segundo ele, com o novo empréstimo, a Grécia "garantirá a viabilidade da dívida em longo termo", assegurando o reembolso de mais de ? 350 bilhões - ou mais de 150% do Produto Interno Bruto (PIB) do país - em títulos soberanos.

Caso o projeto não seja aprovado pelo Parlamento, a UE colocará em prática seu plano B. Ao contrário do indicado por diferentes líderes políticos, a saída da Grécia da zona do euro vem sendo preparada. Segundo o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaüble, a UE fará tudo o que estiver a seu alcance para evitar o default, mas está preparada para qualquer alternativa. "Tudo deve estar organizar para enfrentar o pior", disse.

O programa a ser votado pelo legislativo grego prevê aumento de impostos no valor de ? 15 bilhões e corte de despesas públicas de ? 13,8 bilhões até 2015. Só em 2011, esse esforço fiscal suplementar deve chegar a ? 6,4 bilhões. Entre as medidas estão o aumento da receita - com aumento do número de gregos que passarão a pagar imposto de renda - e a redução dos benefícios sociais, mesmo que 15,9% da população esteja desempregada. Frente a perspectiva de votação no Parlamento, uma greve geral foi convocada pelas duas maiores centrais sindicais do país para terça e quarta-feira. / A.N. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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