Jahi Chikwendiu/Washington Post
Jahi Chikwendiu/Washington Post

Plano de sobretaxar aço valerá para todos, diz governo americano

Donald Trump não pretende isentar parceiros comerciais dos EUA do aumento de tarifa para importação, dizem auxiliares do presidente americano

CELIA FROUFE e ASSOCIATED PRESS, O Estado de S.Paulo

05 Março 2018 | 05h00

O conselheiro de comércio do governo americano, Peter Navarro, disse no domingo, 4, que o plano do presidente Donald Trump para sobretaxar as importações de aço e alumínio valerá para todos os países. ‘Neste momento, não há exclusões de países’, afirmou à rede de televisão CNN.

Aliados dos EUA, como o Canadá, protestaram contra o movimento de Trump, argumentando que não deveriam ser incluídos nas novas regras tarifárias. O Pentágono havia recomendado tarifas “direcionadas”, de modo a não prejudicar parceiros comerciais. Mas Navarro disse que Trump decidiu adotar tarifas de importação abrangentes, com o objetivo de ajudar fabricantes americanos.

Um pronunciamento oficial sobre as novas tarifas deve ser feito nos próximos dias, disse o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, à emissora ABC. Ele também acredita que não haverá isenções e minimizou as consequências de retaliações. “Pode haver algum tipo de retaliação, mas os montantes sobre os quais eles estão falando são bem triviais.” 

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Em reação a Trump, a União Europeia indicou que pode sobretaxar importações de US$ 3,5 bilhões em produtos dos EUA. Na mira, estão empresas americanas como Harley-Davidson e Levi’s. 

Como resposta, Trump ameaçou criar também tarifas para veículos. “Se a UE quer aumentar ainda mais suas já enormes tarifas e barreiras às empresas americanas que fazem negócios lá, vamos simplesmente aplicar tarifas sobre seus carros, que entram livremente nos EUA”, disse Trump no Twitter.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, reagiu. Em conversa telefônica com o presidente americano ontem disse estar “profundamente preocupada” com o anúncio de taxação. Para ela, uma ação multilateral seria “a única maneira de resolver o problema da sobrecapacidade global de todas as partes interessadas”, segundo comunicado à imprensa feito pelo governo do Reino Unido.

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Vários outros países também já se posicionaram contra a medida anunciada pelo republicano, que passou a sofrer críticas de grupos empresariais americanos e correligionários. Lindsey Graham, influente senador republicano da Carolina do Sul, disse que Trump está cometendo um “grande erro” ao impor tarifas sobre aço e alumínio. Graham relatou que Trump está tornando a China “inatingível”. “A China está ganhando e nós estamos perdendo com este regime tarifário.”

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