Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Plano dos EUA pode não chegar em tempo

O plano dos EUA de limpar o passivo dos grandes bancos, mesmo que dê certo, não chegará em tempo para normalizar a situação neste ano. Era o que afirmava a maioria dos analistas, nesta sexta-feira, reduzindo a esperança que ainda havia quanto à eficácia das medidas para conter a recessão. Quase todas as análises surgidas nos dois últimos dias revelavam uma preocupação especial quanto ao ?timing? do programa e principalmente quanto ao valor de mercado dos ativos tóxicos que se pretende tirar do passivo dos bancos."O plano leva três meses para começar a operar e o valor dos ativos ruins cairão ainda mais", afirmou Christopher Whalen, vice-presidente do Institutional Risk Analytics, nos Estados Unidos. Só depois disso e de se avaliar os seus preços de mercado é que o Tesouro poderá começar a utilizar os recursos de US$ 500 bilhões para comprá-los.Para outro executivo sênior, Steves Persy, cuja empresa administra US$ 400 milhões desses papéis, há urgência em agir. "Quanto mais tardar, menor será a eficácia do plano."DEMORA DELICADAMas não seriam análises de pessoas e empresas interessadas em se livrar logo desses ativos? Não. Funcionários do Tesouro que não quiseram ser identificados admitiram à Reuters que o plano realmente só poderá começar a ser executado em junho ou julho. E isso, se tudo caminhar rapidamente. O próprio secretário do Tesouro admitiu o fato quando afirmou, ao anunciar o plano, que os seus efeitos sobre sistema levarão tempo.Para outros analistas ouvidos pelo Financial Times, estamos há mais de 18 meses nessa crise e o Tesouro ainda age como se o problema fosse de falta de liquidez e não de insolvência. PREÇO, A DÚVIDA CRUCIALOutra questão ainda mais espinhosa será saber os preços que os bancos americanos pretendem cobrar pelos ativos tóxicos em suas carteiras e se o Tesouro e os investidores estariam inclinados a aceitá-los. Esse é, sem dúvida, um ponto crucial do qual dependerá o êxito do programa. Há muita descrença de que se chegue a acordo sobre os preços. Seria um impasse semelhante ao que ocorreu no plano do governo anterior.A descrença aumentou no decorrer da semana. Ninguém sabe, por exemplo, quanto vale uma hipoteca vencida levantada sobre um imóvel em fase de execução ou em outro cujo valor é menor do que a dívida. E sem limpar os ativos tóxicos dos passivos dos grandes bancos, eles continuarão tendo dificuldade e até mesmo não poderão se recapitalizar no mercado financeiro. Essa situação poderá se arrastar por mais alguns meses, estima-se que até o último trimestre, com socorros esporádicos em casos mais graves. Mas, com isso, as linhas de crédito nos EUA não se restabelecem e a economia continuará entrando ainda mais na recessão. É grave porque, lembra Paul Krugman, corre-se o risco imediato de continuar perdendo 600 mil empregos por ano.A propósito, estatística oficial divulgada nesta sexta-feira informa que em mais de 10 Estados americanos o desemprego já passa de 10%. A média nacional é de 8,1%. BOTEM NUM MUSEU...O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, que ocupou antes a pasta das Finanças, acha que a solução é o governo tirar esses ativos do mercado. Compra e guarda. "Os Estados Unidos, que estão com problemas no sistema financeiro, deveriam é colocar esses títulos podres em um arquivo e transformá-los aos poucos em peça de museu."E HAJA ESTULTICENa Europa, continua a se discutir a posição a se adotar na reunião do G-20, nesta semana, em Londres. Sei que o leitor já se cansou dessa novela da Globo, mas o que aconteceu na quarta-feira, tem que ser registrado.O primeiro-ministro da República Tcheca, acreditem, presidente atual da União Europeia, Mirek Topolanek, atacou duramente a proposta de Obama para que todos os países executem uma política fiscal intensiva para reanimar a demanda e a economia. Mais gastos, mais obras para criar mais empregos - a solução óbvia que a maioria dos economistas recomenda para conter a recessão. No caso europeu, muito mais grave, para sair da depressão. Sabem vocês o que esse genial presidente da UE disse? "Ele (Barack Obama) fala de uma ampla campanha de estímulo nos Estados Unidos. Todos esses passos, essa combinação e sua permanência são um caminho para o inferno."Como pode um senhor despreparado como esse presidir a União Europeia, nem que seja um dia por rodízio? Já imaginaram o estrago que ele vai fazer na reunião do G-20? O sr. Topolanek leva a taça mundial da estultice! Como se a Europa já não estivesse no inferno!Em tempo, o PIB da Eurozona despencou 5,7% no último trimestre, a previsão para este ano é de menos 2,4%. Por seu lado, a produção industrial afundou 12%, o desemprego está em 8,2%. E a inflação, que eles tanto temem num mirradinho, mirradinho, 1,2%... Ufa!!!!*E mail - at@attglobal.net

Alberto Tamer*, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.