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Plano dos EUA preocupa multinacionais

O plano do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para impedir que companhias norte-americanas transfiram-se para paraísos fiscais pode criar bilhões de dólares em novos impostos a serem pagos por empresas como Nestlé USA, DaimlerChrysler AG e outras multinacionais com operações nos EUA, afirmam as empresas. Essas companhias enfrentam um plano cujo objetivo é evitar as evasões, mas que penalizaria transações legítimas realizadas nos EUA, tais como fusões ou novos investimentos. A DaimlerChrysler disse que o aumento dos impostos aumentaria os custos de seu braço de autofinanciamento, provavelmente impedindo que ofereça financiamento zero para novos automóveis. "Esse tipo de venda torna-se muito mais difícil se você aumenta o custo de financiamento", disse Dennis Fitzgibbons, diretor de política institucional da DaimlerChrysler em Washington. O Tesouro e o Congresso norte-americanos estão tentando fazer com que empresas como a The Stanley Works desistam de mudar seus escritórios centrais para as Bermudas, com a finalidade de reduzir os impostos pagos nos EUA. Uma das medidas propostas pelo Tesouro limitaria as deduções de impostos para subsidiárias nos EUA de uma matriz estrangeira que esteja envolvida em dívidas e remessas entre suas empresas. Essa medida aumentaria os impostos para multinacionais que têm operações nos EUA, como a Nestlé, que conta com 37 mil funcionários e vendas de US$ 15 bilhões no país. "Nós teremos menos dinheiro e menor capacidade para investir e expandir os negócios nos EUA", disse Alex Spitzer, vice-presidente sênior da Nestlé USA, com sede em Norwalk. Pamela Olson, assistente do Secretário do Tesouro para Política Tributária, pediu ao Congresso, neste mês, que apertasse as regras para as deduções relativas a transações de dívidas entre empresas de um mesmo grupo. O comitê de meios e recursos da Câmara está considerando a adoção do plano de Olson e pode implementá-lo no próximo mês. Olson disse que uma subsidiária norte-americana de uma companhia estrangeira pode assumir débitos com o objetivo de gerar deduções. Os juros que uma filial nos EUA paga para sua matriz cria uma dedução de tributos nos EUA. Para enfrentar isso, o Tesouro pretende negar a dedução para dívidas entre empresas de um mesmo grupo, quando o débito total das operações nos EUA exceder toda a dívida mundial da corporação. Tal fórmula impediria a dedução de tributos sobre dívidas inter-empresas da DaimlerChrysler. Isso porque a medida alcançaria o endividamento do braço financeiro de sua subsidiária nos EUA, disse Fitzgibbons. A empresa está fazendo lobby na Casa Branca, no Tesouro e junto a membros do Congresso sobre essa questão, alertando-os que a Chrysler emprega 120 mil trabalhadores e responde por 1% do PIB dos EUA. "Nós estamos alertando as pessoas sobre o impacto no mercado e sobre o financiamento a veículos", disse. A Organização para o Investimento Internacional (OII), que representa o interesse de empresas estrangeiras nos EUA, disse que as regulamentações do Tesouro são muito amplas e punem os negócios legítimos das subsidiárias de empresas estrangeiras. "Nosso principal ponto é a Nestlé, não a Stanley Works", disse Todd Malan, diretor-executivo da OII. Não há estimativas oficiais sobre quanto as medidas gerariam em receita, mas especula-se que a soma poderia chegar a US$ 10 bilhões em 10 anos. "O Canadá e o México podem se tornar lugares mais atraentes" para os investimentos daquelas companhias estrangeiras, ele disse, "caso os EUA se tornem um lugar mais caro para se fazer negócios".

Agencia Estado,

25 de junho de 2002 | 15h29

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