Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Plano é limitado, dizem especialistas

Programa não seria o mais indicado para combater os efeitos da crise

Adriana Chiarini e Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

O programa Minha Casa, Minha Vida vai demorar para se iniciar na prática e é limitado como política de combate à crise, avaliam economistas. "Quando ele começar de fato, espera-se que o pior da crise já tenha passado", diz o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e economista da Gávea Investimentos, Armando Castelar, que é favorável ao programa do ponto de vista social, mas não como política para combater a crise. Para o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, José Márcio Camargo, o pacote habitacional "é um equívoco". "Reduzir impostos sobre folha salarial teria um efeito muito melhor para todo mundo, empresas e trabalhadores", disse. Segundo o economista Marcelo Nonnenberg, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o programa terá impacto positivo em emprego e na atividade econômica, mas não é a melhor medida para isso. "Para reativar a economia, é melhor aumentar o déficit público dessa forma ou usar a política monetária?", questiona.Nonnenberg vê risco de o governo estar criando déficits, como os que existiram no passado nos antigos Banco Nacional de Habitação (BNH) e Fundo de Compensação sobre Variações Salariais (FCVS). "As pessoas podem não conseguir pagar, mesmo subsidiado."Castelar, da UFRJ, observa que é importante cuidar da fiscalização do processo. "É fundamental que o dinheiro vá efetivamente para as casas dos mais pobres, para tirá-los de região de risco ou de moradia precária."A professora titular de planejamento urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Ermínia Maricato, afirma que atender à demanda das classes de baixa renda será o grande desafio do pacote. Segundo ela, a iniciativa privada, que terá participação "central" no programa, tem dificuldades em chegar a esse público. "O mercado não sabe trabalhar com baixa renda. Pode haver uma tendência de atender as faixas de renda mais alta contempladas pelo programa."Segundo dados da Fundação João Pinheiro, 80% do déficit habitacional brasileiro está concentrado nas famílias com renda de até três salários mínimos. "Se o esforço do programa se concentrar na faixa de 5 a dez salários, não vai mexer muito no déficit", diz Ermínia.

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