Plano econômico sai antes do fim de semana, diz Duhalde

O presidente argentino, Eduardo Duhalde, informou, na entrevista aos correspondentes estrangeiros, que, antes do próximo final de semana, o ministro da Economia, Remes Lenicov, dará as linhas para economia para os próximos meses. Duhalde justificou o fato de não ter definido ainda um plano econômico. "Não podemos ter um plano completo após uma semana de assumir numa situação tão grave. Por isto, estamos pedindo a ajuda de especialistas do exterior e da Argentina para trabalhar neste tema". Duhalde explicou ainda que a dinâmica do processo é tão rápida nesta "profunda crise" que ao assumir o governo pensou em adotar o câmbio flutuante, mas, quando viu a "real situação", deu-se conta que a medida seria prejudicial "neste momento". Por este motivo, disse Duhalde, foi calculado um prazo de transição entre quatro e cinco meses para flutuar livremente o dólar. Sobre o FMI, Duhalde criticou os governos anteriores, que recorreram ao Fundo e a outros organismos para pedir dinheiro sem apresentar um plano sustentável. "Vamos aos organismos com nossos próprios projetos do que queremos fazer. Se nós não temos uma política regional, uma fronteira cuidada, para que não nos invadam com produtos, se não temos programa para evitar a evasão fiscal, não sairemos desta crise", ratificou Duhalde. ?Governo não está defendendo instituições financeiras?O presidente argentino afirmou também que o governo não está defendendo as instituições financeiras instaladas no país com as medidas adotadas no início do ano. De acordo com ele, as medidas foram determinadas para defender a poupança e os depósitos dos argentinos. Duhalde disse não acreditar na quebra do sistema financeiro. Ainda segundo ele, o governo fará o possível para evitar esse desfecho. Duhalde explicou, como exemplo, que o governo da cidade de Buenos Aires garante os depósitos no Banco da Província de Buenos Aires assim como o governo central garante os depósitos no Banco Nación. O presidente reconheceu que a situação do sistema financeiro é difícil. Ele explicou também que o governo está estudando uma forma de flexibilizar o "corralito" (congelamento dos depósitos) já que ele é ?uma bomba relógio e, se explodir, os correntistas dificilmente poderão cobrar seus recursos?. No momento, destacou, não há possibilidade de liberar totalmente os depósitos, principalmente porque o dinheiro dos argentinos não necessariamente está nos bancos.?Estamos à beira do caos?O presidente afirmou também que, mesmo sendo um governo de transição, ele está em condições de conduzir a situação argentina por mais difícil que seja. "Crises como esta não admitem equívocos grosseiros porque estamos à beira do caos". Modelo chilenoEduardo Duhalde elogiou o modelo econômico chileno que, segundo ele, "combina muito inteligentemente a proteção de seus interesses com a abertura". O presidente explicou que, nos setores em que a economia chilena não tem exportação, o país realiza aberturas e, em outros, "incorpora a participação empresarial". Ele fez uma referência ao seu discurso de que, em seu modelo de governo, será decisiva a parceria entre o setor público e o privado.Para Duhalde, dos modelos econômicos dos anos 90, o único que não foi esgotado e que serve como exemplo é o do Chile, acrescentando que se referia aos modelos de países que não prosperaram na década anterior.Leia o especial

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