Plano energético prevê R$ 600 bi em aportes

Valor é considerado baixo para chegar até 2017, pois a Petrobrás ficará com R$ 54 bi este ano

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

O Plano Decenal de Expansão de Energia do Ministério de Minas e Energia para o período de 2008 a 2017 usou premissas conservadoras na projeção dos investimentos em energia elétrica, petróleo, gás natural e biocombustíveis. As estimativas no plano são de cerca de R$ 600 bilhões.Para o cálculo dos investimentos foi utilizado o câmbio médio de janeiro de 2008, de R$ 1,70. Apenas com a diferença de conversão para o câmbio atual, de R$ 2,40, o volume passaria para R$ 847 bilhões.O montante de R$ 600 bilhões, equivalente a R$ 66 bilhões anuais ao longo do período, pode parecer elevado, mas, considerando que a Petrobrás, sozinha, deve encerrar 2008 com R$ 54 bilhões, o volume parece distante de uma realidade em que devem ser incluídos os aportes nas reservas do pré-sal ou na construção do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira e das usinas de Belo Monte. Apenas na área do pré-sal os investimentos previstos por analistas são de US$ 600 bilhões.Segundo o Plano Decenal elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) - que está disponível para consulta pública até 29 de janeiro de 2009 - , do total previsto em investimentos no período, R$ 254 bilhões seriam destinados ao petróleo (média de R$ 28,2 bilhões por ano). Outros R$ 142 bilhões iriam para a geração de energia, R$ 39,1 bilhões para novas linhas de transmissão e R$ 39,7 bilhões para usinas de etanol.O plano considera a construção de pelo menos 42 usinas de etanol até o fim de 2008, mais 39 em 2009, 22 em 2010 e outras 23 ainda em estudo pela EPE. Todas essas usinas de etanol serão destinadas a atender a uma demanda de 33 bilhões de litros em 2010.O conservadorismo nas estimativas não se repete nas premissas para a projeção de crescimento da demanda de energia. As previsões do plano consideram um crescimento anual do PIB de 4,9% e acréscimo populacional de 1,1% ao ano. Esse crescimento do PIB, que já chegou a ser revisado pelo Banco Central, é o mesmo que havia sido projetado pela EPE antes da crise financeira mundial.Nesse cenário, a EPE projeta o consumo de energia passando dos atuais 392,946 TWh por ano para R$ 599,303 TWh. A variação anual no consumo é de 4,8%.Já com relação à demanda de combustíveis, o plano projeta crescimento de 4,9% ao ano para o diesel, 2,3% para o GLP, 5,2% para o Querosene de Aviação (QAV), 4,8% para o gás natural, e 16,2% para o álcool hidratado. Só a gasolina deve ter contração na demanda até 2017, registrando uma redução no consumo de 2,7% ao ano, devido principalmente ao aumento da frota de carros flexíveis.A autoprodução de energia deve saltar de 41,3 TWh para 100,3 TWh, sendo o maior acréscimo proveniente do setor de siderurgia, celulose e petroquímica, que vai passar dos atuais 19 TWh em 2008 para 53,1 TWh em 2017. O setor alcooleiro passa de 9,4 TWh para 23,7 TWh.

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