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Plano financeiro de Obama vai injetar US$ 2 trilhões para salvar bancos

Pacote foi mal recebido porque governo não explicou como vai convencer investidores privados a bancar parte dos gastos

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2009 | 00h00

O novo plano de resgate dos bancos pode injetar cerca de US$ 2 trilhões no sistema financeiro dos Estados Unidos, anunciou ontem o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner. Os principais pontos do plano são a criação de um fundo público-privado para a compra de até US$ 1 trilhão em ativos tóxicos dos bancos e um programa de US$ 1 trilhão para reativar o mercado de crédito ao consumidor e a empresas. Além disso, o governo vai injetar mais capital em bancos atingidos pela crise. A estabilização do sistema financeiro é vista como medida essencial para tirar os EUA da maior crise desde a Grande Depressão. O anúncio do plano financeiro foi feito no mesmo dia em que o Senado americano aprovou outro pacote, de estímulo à economia, de US$ 838 bilhões.Porém, o plano de Geithner foi recebido com ceticismo, porque não dá detalhes nem explica como vai garantir a colaboração do setor privado. "Em vez de catalisar a recuperação, o sistema financeiro está trabalhando contra a recuperação", disse Geithner ontem, ao anunciar o plano. "E, ao mesmo tempo, a recessão pressiona ainda mais os bancos. Esta é uma dinâmica perigosa e precisamos detê-la." Geithner advertiu que "vai demorar" para a estratégia do governo dar resultados. Os ativos tóxicos, títulos lastreados em hipotecas que ninguém consegue determinar o preço e não têm liquidez, sobrecarregam os balanços dos bancos. Investidores resistem em injetar capital por não saberem o tamanho do buraco. E os bancos resistem em emprestar, porque estão descapitalizados.O novo pacote é a aposta do governo para reverter o fracasso do plano de resgate original, o Tarp, aprovado em setembro. O governo já usou US$ 350 bilhões dos US$ 700 bilhões do Tarp. Mas até agora não conseguiu restabelecer o crédito e a situação dos bancos piorou. Com os programas de mais de US$ 2 trilhões (ainda que parte venha de investidores privados e do Fed), o Tesouro indica a necessidade de um Tarp 2, pois os recursos do primeiro não serão suficientes. Em sua primeira entrevista coletiva, o presidente Barack Obama indicou que poderá pedir ao Congresso mais dinheiro para os bancos. No esforço para obter um Tarp 2 no Congresso, Geithner anunciou um endurecimento nas condições para os bancos. Eles terão de aumentar os empréstimos, participar de programas de refinanciamento de hipotecas e restringir remuneração de executivos. Os principais bancos passarão por um "teste de stress" para determinar se têm capital suficiente para sobreviver a uma eventual piora da crise.Para reativar o crédito, Geithner anunciou a Iniciativa de Empréstimo a Consumidores e Empresas. Trata-se da expansão de uma linha para reativar o mercado de securitização de cartão de crédito, financiamento estudantil, mercado de imóveis comerciais e pequenas empresas, que tinha US$ 20 bilhões do Fed. A linha passa a ter US$ 1 trilhão (US$ 100 bilhões do Fed e o resto de fontes privadas). O programa de prevenção de execução de hipoteca terá cerca de US$ 50 bilhões para refinanciamento e US$ 600 bilhões para Fannie Mae e Freddie Mac comprarem títulos lastreados em hipotecas. Os detalhes só sairão nas próximas semanas.

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