Plano foi discutido com o BC, diz Tombini

Para presidente do Banco Central, apesar das ações para conter fluxo de capitais, Brasil continuará a atrair investimentos internacionais

Daniela Amorim / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

O Banco Central participou, junto com o Ministério da Fazenda, da discussão sobre as medidas publicadas ontem para conter a valorização cambial, revelou Alexandre Tombini, presidente da autoridade monetária, após conferência na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro.

Segundo Tombini, as novas regras têm o objetivo de conter a alavancagem do real ante o dólar, em um momento de ampla liquidez internacional e algumas moedas sob pressão. Mas, apesar das ações para conter o fluxo de capital, o Brasil continuará a atrair investimentos.

"O investimento estrangeiro responde a fatores estruturais, condições de longo prazo que não são afetadas por essa medida. Inclusive, tornam o Brasil ao longo do tempo um paradeiro mais seguro para o investimento produtivo, os investimentos em infraestrutura, os investimentos diretos estrangeiros", afirmou o presidente do BC. "O Brasil continua sendo um país receptivo aos investimentos diretos estrangeiros e essa medida vem fortalecer essa marca da economia brasileira."

Tombini disse também que o órgão continuará atuando para mitigar possíveis riscos provenientes da entrada excessiva de capitais. Segundo ele, "a economia brasileira sai mais forte com essa medida."

A atuação do BC sobre o câmbio não sofrerá alterações e as intervenções diárias devem continuar, embora o banco afirme que manterá a vigilância sobre a situação do mercado para definir novas ações.

Para Tombini, no momento em que houver uma melhora nas condições internacionais, tanto no setor monetário quanto no financeiro, não haverá mais surpresas na economia brasileira.

O presidente do BCs garantiu que tem acompanhado os movimentos de um possível rebaixamento da nota dos Estados Unidos, mas acredita que a questão sobre a elevação do teto da dívida americana seja resolvida sem impactos maiores sobre a economia mundial e sobre o Brasil. "Obviamente que nós acompanhamos a situação com atenção e veremos aí os desdobramentos nos próximos dias", disse.

Em caso de suspensão de pagamentos (default) da dívida americana, Tombini diz que o governo brasileiro estaria preparado para impedir a contaminação do mercado doméstico. "Se houver necessidade, nós teremos condições, nós saberemos atuar."

Em relação à política de reservas do Brasil, em parte constituída por títulos americanos, não deve haver mudanças, mesmo diante de um eventual rebaixamento da nota dos EUA. Tombini ressalta que o País tem um nível de reservas internacionais adequado às suas necessidades, de 14% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB).

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