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Plano para produzir 5 milhões de carros é exagero, dizem montadoras

Em estudo que será enviado ao governo, Anfavea apresenta diagnóstico para subsidiar pacote de ajuda ao setor

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

Com quatro meses de atraso, a indústria automobilística vai entregar, no fim de agosto, um estudo sobre a competitividade do setor para ajudar o governo na preparação do pacote de incentivos às montadoras a ser lançado em setembro. As empresas adiantaram que a projeção do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, de que a indústria precisa ter capacidade produtiva de 5 milhões de veículos até 2011 é superestimada.Para atingir a meta, seriam necessários investimentos de cerca de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões, valor estimado para um aumento de capacidade de 1,5 milhão de veículos nos próximos três anos. Nas últimas semanas, vários investimentos foram anunciados por empresas do setor, mas boa parte é para novos veículos e não para capacidade produtiva.Hoje, as montadoras têm capacidade instalada para produzir 3,5 milhões de veículos. Este ano serão fabricados 2,8 milhões veículos e a projeção para 2008 é de 3,1 milhões, segundo estudo recente feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). O documento que será levado aos ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) justifica parte do que Miguel Jorge já adiantou do pacote, como linhas especiais de financiamento para pesquisa e desenvolvimento de produtos para melhorar a competitividade da indústria brasileira.Em um comparativo envolvendo o Brasil e mais cinco países (Alemanha, Romênia, China, Índia e México), o Brasil fica em último no ranking de atratividade externa. Foram levados em conta situação da infra-estrutura de cada país, ambiente tributário, rentabilidade das exportações, competitividade dos produtos e custo de investimento, entre outros.Ao contrário das últimas queixas, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)não pede redução de impostos e nem mudança na política cambial. Mas aponta problemas recorrentes - como a retenção do crédito de ICMS das exportações - e sugere desonerações para as vendas externas e internas, mas com compensações que evitem queda de arrecadação. SEGUNDA DIVISÃOO estudo estava previsto para ser entregue em abril, mas houve atrasos na elaboração. A Anfavea não quis comentar o assunto ontem. O presidente da entidade, Jackson Schneider, tem dito que o objetivo do estudo não é pedir nada ao governo, mas apontar caminhos para que a indústria brasileira não perca espaço para outros países que avançam mais rápido."Somos jogadores da primeira divisão e não queremos ir para a segunda", costuma dizer. As exportações brasileiras de carros devem cair 11% em relação às 842 mil unidades exportadas em 2006. Executivos da indústria afirmam que a perda de um cliente externo é muito difícil de ser recuperada.Paralelamente, as vendas internas devem crescer 22%, para 2,35 milhões de unidades, enquanto a produção terá aumento de 10%, para 2,8 milhões. Entre 2001 e 2006, a produção brasileira cresceu 44%. A da China cresceu 208% e a da Índia, 148%. Países do leste europeu também crescem rápido. O México, que hoje produz menos que o Brasil, já projeta 5 milhões de unidades até 2013.O Sindipeças, que apóia o estudo da Anfavea, já entregou ao governo propostas como ampliação de prazos para pagamento de impostos, isenção de IR para lucros incrementais reinvestidos, transferência de impostos da compra para o uso do automóvel e renovação da frota com bônus ambiental.

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