Fabio Motta/Estadão - 13/3/2013
Fabio Motta/Estadão - 13/3/2013

Plano prevê peso menor do BNDES na economia

Participação no PIB deve cair de 9,9% para 7,5% em 2035, segundo o plano estratégico; ideia é ampliar atuação no mercado de capitais

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 05h00

A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai cair dos atuais 9,9% para 7,5% em 2035, disse ao Estadão/Broadcast o diretor das áreas de Crédito e Planejamento da instituição, Carlos da Costa. A queda se dará pela redução do peso dos financiamentos do banco na economia brasileira, que pelo recém-aprovado Plano Estratégico 2018-2035 terá maior participação do mercado de capitais.

“Nossa participação no PIB tende a cair se nós formos bem-sucedidos, a ideia é usar o mesmo dinheiro com mais eficiência e com maior participação do mercado de capitais privado”, afirmou Costa.

O Plano Estratégico, aprovado no dia 9 pelo conselho de administração do banco, e que ainda não foi divulgado oficialmente, envolveu cerca de 800 empregados do BNDES e outras 50 pessoas de fora do banco, além de uma consultoria contratada para formular as mais de 1.600 páginas que mostram a visão para os próximos 17 anos. Ainda sem a data, um resumo do plano deverá ser divulgado.

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Costa conta que o objetivo do plano é ajudar o Brasil a entrar no seleto rol de países desenvolvidos em 2035, contando cada vez menos com recursos do Tesouro e buscando parceria com o mercado de capitais. “Só o BNDES não conseguirá levar o Brasil a ser um país desenvolvido.”

O BNDES costuma fazer planos estratégicos a cada cinco, dez anos – o último é de 2009 –, mas este em particular é considerado pelo diretor como o maior da história do banco. “Antes, os planos eram planejamentos incrementais, e isso era um problema até para o banco.”

Projeção. Segundo Costa, a previsão é que os desembolsos do banco registrem média anual de R$ 95 bilhões. As três áreas escolhidas como focos principais – infraestrutura, estrutura produtiva e desenvolvimento social (educação, saúde e segurança) devem receber cerca de R$ 400 bilhões, R$ 275 bilhões e R$ 75 bilhões, respectivamente. “A nossa carteira de crédito deve permanecer em torno dos R$ 600 bilhões e a carteira da BNDESPar (ações e debêntures) em R$ 150 bilhões.”

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A ideia é alavancar melhor a economia com os mesmos recursos que o banco tem hoje, e contando cada vez menos com a participação do governo.

O governo federal, por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador, contribui com quase 95% de todos os recursos emprestados pelo banco, que em 2017 captou apenas R$ 5,2 bilhões dos R$ 70 bilhões desembolsados. O aumento de captações, entretanto, vai depender da melhora da nota de crédito do Brasil dada pelas agências de rating, explicou, já que as taxas no momento seriam muito altas para o BNDES, que tem o seu risco atrelado ao do País.

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Ele disse que o banco deve continuar atuando no apoio a desestatizações e concessões feitas pelo governo, mas que a tendência é contar também com a parceria do mercado de capitais, como vai ocorrer este ano com a Eletrobrás. “No momento que a Eletrobrás for privatizada, não temos dúvidas de que haverá uma onda de investimentos em energia, principalmente em geração, que é um dos nossos focos. Uma vez passada para as mãos do setor privado, você tem possibilidade de investimento muito maior”, disse, prevendo maior atuação do BNDES nas possíveis desestatizações que possam ocorrer daqui para frente.

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