EFE/Joédson Alves
EFE/Joédson Alves

Plano Safra está muito apertado, diz Tereza Cristina

Ministra da Agricultura admitiu que, por causa do enxugamento do Orçamento, podem faltar recursos para o programa de crédito; ela afirmou que pretende aproximar produtores brasileiros de países asiáticos

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 17h21

BRASÍLIA - A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu nesta sexta-feira, 3, que o próximo Plano Safra, referente ao ciclo 2019/2020, a ser anunciado no dia 12, estará "muito apertado (de recursos) em função do Orçamento". Ela comentou que a pasta está vendo o que é possível fazer em relação aos juros para o crédito rural subsidiado.

Segundo ela, se o volume de recursos ficar muito apertado, o governo vai privilegiar pequenos e médios produtores e deixar uma parcela menor para os grandes. A ministra afirmou ainda que está trabalhando para manter o mesmo valor do plano vigente, que alcançou quase R$ 195 bilhões. "Essa é grande quebra de braço que sempre acontece", disse.

Tereza Cristina acrescentou que não tem perspectiva em relação a uma solução vinda do Executivo para a dívida referente ao Funrural - cuja cobrança foi considerada legal há dois anos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Não sei se a solução (da dívida) virá via medida provisória ou projeto de lei", continuou.

Comércio

Em entrevista coletiva, a ministra afirmou que pretende aproximar o mercado produtor brasileiro dos países asiáticos. Uma comitiva da pasta segue para a Ásia na próxima semana. A viagem inclui agendas no Japão, na China, no Vietnã e na Indonésia, para uma série de encontros com autoridades e investidores estrangeiros. A comitiva chegará a Tóquio no dia 9 e retornará no dia 21.

"A viagem tentará ampliar acesso do produto brasileiro na Ásia", disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Orlando Leite Ribeiro.

Segundo a ministra, material genético e carne bovina serão tema das conversas no Japão. "Na Rússia, vamos falar sobre soja, pescados e farinha e do lado deles, pescado e trigo", disse. 

Na China, a comitiva brasileira vai participar da feira de alimentos Sial. "Em Pequim, teremos conversas com a China Paper, vamos falar sobre florestas", disse. Outro assunto que deve ser discutivo com os chineeses é a habilitação de plantas de lácteos.

Favorecimento

Tereza Cristina se disse "perplexa" com a nota da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que acusou, na quinta-feira, 2, seu ministério de privilegiar grandes frigoríficos na nova lista de pedidos de habilitação para exportar carne bovina para a China. A entidade afirmou que as grandes indústrias estariam sendo beneficiadas pela pasta por causa da inclusão de um novo critério, "concentrando ainda mais o mercado de exportação".

O novo critério seria a exigência de que as 24 empresas da lista já devem estar exportando também para a União Europeia, o que não existia antes, segundo a Abrafrigo. Tal exigência excluiria, automaticamente, várias pequenas e médias agroindústrias, que se prepararam para as inspeções chinesas, mas não exportam para a UE.

O secretário Orlando Ribeiro afirmou que conversou pessoalmente com os dirigentes da Abrafrigo. Segundo ele, a China estaria disposta a inspecionar primeiro os questionários dos estabelecimentos que já têm habilitação para aUnião Europeia. "Quando se negocia com chineses, tem de saber como negociar com eles", afirmou. "O ministério não se pauta por interesse de empresas e sim pelo interesse nacional."

Ribeiro disse ainda que serão entregues quatro listas de empresas frigoríficas candidatas à habilitação para os chineses e que isso será apenas o início da negociação. 

A ministra ressaltou que o momento atual significa uma boa oportunidade para o Brasil ampliar mercados na China no setor de proteína animal, por causa do surto de peste suína africana enfrentado pelo país asiático. A doença reduziu a oferta doméstica de carne suína. "Temos espaço para colocar carnes, nossa proteína animal, à disposição do governo chinês, mas para isso temos de ter estratégia", disse. "O governo brasileiro vai lá discutir e mostrar o serviço sanitário, agora a parte comercial é outra coisa, isso não diz respeito ao governo."

Por outro lado, a ministra admitiu que o surto de peste suína africana na China também traz preocupação em  relação à exportação de grãos brasileiros para lá, pois o país asiático importa soja para fazer ração animal. "Vou analisar isso durante a viagem", disse.

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