Planos de saúde livre-escolha têm preços elevados

Quando se trata de planos de saúde, seguir conselhos de especialistas virou tarefa impossível. Desde que a nova lei que regulamenta o setor entrou em vigor, a recomendação mais ouvida é a de que o plano livre-escolha - aquele em que se pode escolher o médico e receber mais tarde um reembolso - era a melhor opção para o consumidor. Outra dica dada por dez entre dez especialistas era verificar a qualidade dos hospitais credenciados. Os planos que atendem a esses requisitos, no entanto, têm preços que somente uma pequena parcela da população pode pagar.Em janeiro, a reportagem do Estado fez uma consulta para verificar preços de plano que atendessem aos requisitos indicados por especialistas. A cotação foi feita para uma pessoa com idade entre 30 e 39 anos e uma criança, com idade de 7 anos. A única exigência era a de que o plano oferecesse atendimento de pronto-socorro e cirurgias marcadas em um hospital de primeira linha da cidade. A opção mais barata foi de R$ 502,00 mensais. Mas havia opções, de operadoras mais conhecidas, que variavam de R$ 613,39 até R$ 796,26. "Integrantes da classe média que pretendem fazer um plano individual têm de se conformar: não há mais como ter hospitais de primeira linha em planos com preços médios", admite o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Abramge, Arlindo Almeida.Não foi sempre assim, diz Almeida. Segundo ele, o aumento é reflexo da mudança da política das empresas, depois que entrou em vigor a lei que regulamenta o setor. "Os planos hoje são mais abrangentes: eles atendem a um número muito maior de procedimentos. Para compensar, foi feita restrição na hotelaria, na rede de hospitais oferecidos."A presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Regina Parizi, espantou-se com os preços. "Há um movimento claro das operadoras para deixar de fazer planos individuais. Por isso, eles não fazem questão de captar novos clientes", diz. A diretora da área de saúde da Fundação Procon, Ilma Araújo, faz apenas um alerta: "É preciso ficar atento, por que é possível que, dentro de algum tempo, a restrição de hospitais e serviços seja tamanha que, embora haja previsão para realizar vários procedimentos, os centros cadastrados possam não ter condições de realizá-los."A Agência Nacional de Saúde Suplementar ao fiscalizar os preços, certifica-se apenas de que as operadoras não cobram valores muito baixos, irreais. Fiscaliza, ainda, a diferença dos preços de planos entre as faixas etárias. "O mercado se encarrega do restante", explica o diretor da ANS, João Luis Barrocas. A também diretora da ANS Solange Beatriz Mendes lembra: "É a velha história do cobertor curto: não há como garantir tudo. É melhor garantir que planos tenham cobertura ampla do que deixar como estava antes da regulamentação: bons hospitais, mas que apenas faziam procedimentos básicos."

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