Planos de saúde subiram 248% em 7 anos; inflação foi de 72%

Os convênios e seguros de saúde da capital paulista tiveram os preços reajustados em 248,77% no período entre janeiro de 1997 e abril de 2004, enquanto o Índice do Custo de Vida (ICV) no período atingiu 72,63%. Os dados foram divulgados hoje pelo Dieese. Os medicamentos tiveram os preços aumentados em 104,01%, no mesmo período. "Saúde tem subido todos os meses acima do índice geral e o motivo para isso é que tanto os convênios e seguro saúde, como o setor de medicamentos, são extremamente oligopolizados", disse a coordenadora do ICV, Cornélia Nogueira Porto.Ela disse que, desde 2000, após ingresso dos medicamentos genéricos todos os fármacos passaram a ter reajustes menores de preços. Como referência, o Dieese lembra que o conjunto de medicamentos subiu 15,86%, em 1999 e apenas 1,19% em 2001. "A partir de 2002, com a crise econômica da campanha eleitoral, os reajustes dos medicamentos passaram a ficar bem perto da inflação anual, em 13,21%, em 2002, e 12,12%, em 2003", disse.Para a coordenadora, os planos de saúde são os grandes "vilões" do grupo saúde. "Entre 1997 e abril de 2004, os convênios e seguros reajustaram seus preços em 248,77%, mas os valores das consultas médicas subiram 45,53%, enquanto dos exames de laboratório elevaram 14,54% e de hospitais, em 48,84%", disse. "Seria bom arrumarmos um genérico para os seguros saúde".Uma alternativa viável seria, na opinião de Cornélia, discutir na sociedade uma eventual cobrança por hospitais públicos para determinados tipos de serviços, com a garantia de qualidade e, em contrapartida, com valores abaixo dos cobrados pela rede privada. "Os planos de saúde só aumentam tanto as mensalidades porque a população não tem outra alternativa de atendimento com um mínimo de qualidade na rede pública", afirmou.

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