Planos de saúde têm aumentos abusivos

Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) registra o aumento abusivo das mensalidades dos planos de saúde. Entre o período de janeiro de 1996 e abril deste ano, o preço das mensalidades subiu 93,4%, contra 28,09% das consultas médicas e 14,6% dos gastos de hospitais. Os custos com exames laboratoriais caíram 3,63% no mesmo período. Nesse mesmo período, a inflação variou de 23,89% a 34,94%. Segundo os membros do Fórum de Acompanhamento da Regulamentação dos Planos de Saúde, formado por representantes de consumidores e profissionais de saúde, a única forma de coibir a distorção dos preços seria instaurar uma nova política de regulação econômica do setor. Essa política contaria com a limitação da margem de lucro permissível. "Estamos encaminhando esta idéia para Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)", disse o membro do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Mário Scheffer.Scheffer diz que o primeiro passo para descobrir os cálculos de aumentos das mensalidades seria o acesso às planilhas de custo das empresas, cooperativas e operadoras de plano de saúde. "O consumidor precisa conhecer as planilhas e os cálculos dos custos das operadoras. Os números da pesquisa mostram que existe algo de estranho.", declara Scheffer, se referindo a diferença entre a porcentagem do aumento das mensalidades comparado ao da variação da inflação e dos serviços médicos.Abertura de planilhas servirão para corrigir preços do setorSegundo a assistente de direção do Procon de São Paulo, Lúcia Helena Magalhães, a abertura das planilhas de custos servirão para não só discutir a margem de lucro das empresas, como também para remodelar os preços dos planos de saúde. "Não temos idéia do cálculo feito pelas empresas para aumentar os preços. Isso porque os órgãos de defesa do consumidor não tem acesso aos custos das operadoras de saúde.", ressalta.A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Andrea Salazar, disse que os aumentos anuais previstos em lei ficam muito acima da inflação porque apenas as operadoras calculam sua margem de lucro, sem pensar nos prejuízos que causam ao consumidor. "A sociedade está esperando apenas a transparências das informações sobre o lucro das empresas sobre os contratos e serviços dos planos de saúde", afirma.Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) os aumentos das mensalidades dos planos de saúde são feitos mediante liberação da ANS. O último aumento foi fixado em julho em 5,42%. A cada aniversário do contrato, os planos de saúde sofrem esse reajuste. Porém se o associado mudar da faixa etária correspondente da lei sofre um novo aumento.Médias dos aumentos praticados entre 1996 e 2000, segundo o DIEESE.AnoSeguros e planosConsultas ExamesHospitais199626,98%8,75%-3,25%4,74%199712,84%7,89%9,47%2,46%19986,56%4,10%-2,61%0,82%199921,63%1,34%-6,52%5,83%20004,14%3,50%-0,06%0,08%Total93,40%28,09%-3,63%14,60%

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