Planos para Alca são ambiciosos, diz Rodrigues

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, classificou como "ambicioso" o documento divulgado ontem, após reunião ministerial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A declaração final foi divulgada com um dia de antecedência. "O documento é muito ambicioso, mas não há instrumentos que garantam que a ambição se transforme em dados concretos. Isso só ocorrerá a partir das negociações que virão daqui para frente", afirmou. Rodrigues está em Miami e falou a jornalistas brasileiros pelo sistema viva-voz. "O nível de ambição colocado pelo documento é o máximo possível e permite sonhar alto, porém não existem certezas que esse sonho se transformará em realidade", completou.A manutenção do "nível de ambição" para formação da Alca dependerá das próximas rodadas de negociação, avaliou o ministro. "A partir de Miami, haverá uma agenda de reuniões e os setores terão de ser negociados efetivamente", afirmou. Rodrigues integrou a comitiva brasileira que participou das negociações da Alca, em Miami. Ele lembrou que há uma reunião agendada para fevereiro de 2004, em Puebla, no México. Mas acrescentou que os impactos da formação do bloco serão avaliados a cada dia pelos setores envolvidos na discussão. Para Roberto Rodrigues, a reunião ministerial de Miami deu novo alento às negociações para formação da Alca. "Foi um relançamento. A Alca está viva e garantida de que vai entrar em vigor em 2005", comemorou o ministro. Ele lembrou, no entanto, que a abrangência do comércio dependerá das negociações posteriores ao encontro de Miami. "É seguro que não houve um desastre, uma frustação, como aconteceu em Cancún", acrescentou ele, referindo-se à reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em setembro.Na reunião, reafirmou-se que temas sensível para cada um dos 34 países serão discutidos numa segunda fase de negociação, após o posicionamento da OMC, disse Rodrigues. Do lado brasileiro, defende-se que compras governamentais, propriedade intelectual e investimentos sejam debatidos na OMC. Os americanos consideram como ponto sensível da Alca a questão dos subsídios internos à agricultura. O ministro brasileiro voltou a defender que a geração de emprego, inclusive em países ricos, passa pela ampliação do comércio mundial. "O breque da OMC em Cancún foi um breque na possibilidade de crescimento das nações. Seria terrível se acontecesse o mesmo com a Alca", afirmou.

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