Plantas e flores, um supérfluo sem crise

Mercado de US$ 1,4 bilhão deve crescer 11% em 2009

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Irresistíveis pela beleza ou pelo perfume, as plantas e flores são associadas ao consumo supérfluo. Tanto é assim que o brasileiro gasta, em média, cerca de R$ 13 com esse tipo de produto por ano. No outro extremo estão os suíços, os maiores consumidores, cujo desembolso anual chega a R$ 243. Apesar da falta de tradição, as vendas de plantas e flores avançaram a uma taxa média de 8% nos últimos anos. A previsão para este ano é ainda melhor. O faturamento da indústria deve crescer 11%. No ano passado, o mercado movimentou US$ 1,4 bilhão. A fase é tão boa que a maior cooperativa de comercialização do País, a Veiling, acaba de investir R$ 60 milhões em um projeto de ampliação (ler acima).Segundo Antonio Hélio Junqueira, sócio da Hórtica Consultoria, o Brasil tem cerca de 5.100 produtores de plantas e flores, responsáveis pelo cultivo de 8.423 hectares. Apenas 2,7% da produção nacional é vendida para o exterior.Ao contrário de países com tradição na floricultura, como Colômbia e Equador, a grande maioria da produção brasileira fica no mercado interno. Dependentes das exportações para mercados como Alemanha e Bélgica, afetados pela crise, as vendas desses países caíram.A melhora da receita do setor no Brasil tem a ver com o aumento da oferta de flores e plantas - há mais variedade em várias faixas de preço. Também influenciou, segundo Renato Optiz, presidente da Câmara Setorial de Flores Ornamentais, o desenvolvimento de outros canais de venda além das floriculturas, como os sites de especializados em comércio on line, as grandes lojas do tipo "garden", que comercializam da semente ao cachepô, e os supermercados.A Terra Viva é a maior produtora de flores e plantas da região de Holambra e também comemora a boa fase, como explica o gerente de marketing Carlos Gouveia. A previsão do executivo é de que as vendas tenham uma alta entre 15% e 17% neste ano."A crise criou oportunidade. Além da chegada dos novos consumidores, que antes não tinham condições de comprar uma planta, há também aqueles que procuram economizar e optam por um vaso de flores na hora de dar um presente", diz Gouveia.Otimista, ele acredita que o aumento do consumo de flores no Brasil é uma tendência irreversível. "O brasileiro ainda não vê a flor como um produto indispensável. Essa mudança de comportamento terá de ser construída com o tempo. O crescente apelo pelas coisas que vêm da natureza certamente ajuda."

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