Plataforma P-52 custa 20% mais que a estimativa inicial

Unidade da Petrobras é a primeira a ser construída com conteúdo nacional mínimo

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h50

Símbolo da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e primeira plataforma de petróleo a ser construída com conteúdo nacional mínimo, a P-52 custou à Petrobras cerca de 20% a mais do que o estimado no início da obra. Segundo o gerente-executivo de engenharia da estatal, Pedro Barusco, as obras consumiram US$ 1,1 bilhão, contra os US$ 906 milhões constantes do contrato assinado em dezembro de 2003. Em entrevista antes da cerimônia de batismo da plataforma, a direção da companhia negou, porém, que a decisão de construir a unidade no País tenha causado a alta de custos. "Foram três fatores: pequenos ajustes no projeto, variações cambiais e a alta nos preços do aço", afirmou o executivo, para quem a indústria naval brasileira já tem condições de competir com estaleiros internacionais. "Não é verdade que seja mais caro no Brasil. Na verdade, é mais barato", disse. "É muito melhor estarmos aqui discutindo em português. Antes, tínhamos questões na corte de Londres, gastávamos fortunas com advogados para discutir detalhes como termos em inglês nos contratos", acrescentou o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella. Construída pelo estaleiro Brasfels, em Angra, a P-52 ficou com um índice de nacionalização de 76% e a empresa espera ampliar esse padrão nas próximas embarcações. Para o presidente do estaleiro Keppel Fels, de Cingapura, que controla o Brasfels, Choo Chiao Beng, a principal diferença entre a indústria naval brasileira e a de seu país está no grau de abertura da economia nacional. "Em Cingapura podemos importar qualquer equipamento de qualquer parte do mundo sem taxas e isso nos garante preços mais competitivos", explicou, citando também a facilidade para que técnicos estrangeiros trabalhem no país asiático. O Brasfels está construindo ainda a P-51, primeira plataforma do tipo semi-submersível cujo casco será construído no Brasil, em uma parceria com a Nuclep, empresa criada para as obras civis das usinas nucleares brasileiras e reativada justamente para essa obra. "A decisão de construir o máximo que pudermos no Brasil vem forçando grandes companhias mundiais a se instalarem no País", disse Estrella, citando ainda que 100 mil pessoas trabalham hoje em obras da Petrobras. OperaçõesCom capacidade para produzir 180 mil barris por dia, a plataforma P-52 será instalada no campo de Roncador na primeira quinzena de setembro, segundo o cronograma previsto pela Petrobras. A embarcação deixa o estaleiro Brasfels em Angra no final de julho para passar por testes de flutuação e, logo depois, segue para o campo, na Bacia de Campos.Além dela, a Petrobras pretende iniciar as operações de outras quatro plataformas de petróleo este ano: P-34, no campo de Jubarte; FPSO CIdade de Vitória, em Golfinho; Piranema e uma unidade de teste de produção de óleo extrapesado no campo de Siri, na Bacia de Campos. Mesmo assim, a empresa deve fechar o ano com um volume de produção abaixo da meta estipulada inicialmente, de 1,91 milhão de barris por dia.Segundo Estrella, a empresa deve atingir 1,88 milhão de barris por dia, devido a atrasos na entrada de algumas unidades e problemas com a extração de óleo em Golfinho - que ainda não atingiu os 90 mil barris por dia esperados, porque o reservatório tem menos energia do que a empresa previa. O projeto de óleo extrapesado em Siri vem sendo tocado com grande expectativa pela companhia, devido à grande quantidade de reservas desse tipo existentes no Brasil. A idéia é testar tecnologias capazes de recuperar essas reservas a custos competitivos.

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