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Plataforma P-77 da Petrobrás no campo de Búzios tem embarques e desembarques suspensos por covid-19

Esta segunda-feira seria o primeiro dia da implantação da Fase 1 de retorno ao trabalho presencial nas operações das plataformas da estatal

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 19h10

RIO – No primeiro dia da implantação da Fase 1 de retorno ao trabalho presencial nas operações das plataformas da Petrobrás, iniciada nas quatro unidades instaladas no campo de Búzios, na bacia de Santos, uma das unidades, a P-77, teve que interromper os embarques e desembarques de empregados por causa da contaminação de covid-19, para que todos os trabalhadores fossem testados.

A Petrobrás confirmou os casos de contaminação na P-77, mas não informou o número de doentes e disse que não houve interrupção da produção. 

“Como determina o procedimento preventivo utilizado na Petrobrás, qualquer colaborador que reporte sintomas compatíveis com covid-19 é imediatamente desembarcado, bem como seus contactantes. Esse procedimento foi aplicado no caso da P-77, com desembarques pontuais. De forma preventiva, a companhia optou por testar todos os colaboradores a bordo com testes RT-PCR, prática já adotada em outras plataformas”, disse a companhia em nota ao Broadcast.

No campo de Búzios estão instaladas as plataformas P-74, P-75, P-76 e P-77. Esta semana, a companhia aprovou a contratação de mais três plataformas para o campo, que no total, segundo o planejamento da companhia, terá 12 unidades. Búzios é o segundo maior produtor da empresa, atrás apenas do campo de Lula. Em junho, a produção média de petróleo de Búzios foi de 513 mil barris diários, metade da produção de Lula (1 milhão de barris diários).

Para os sindicatos que representam os petroleiros, a contaminação da P-77 prova que a retomada das operações normais da empresa está sendo precipitada, e que a disseminação do vírus entre os empregados não conseguiu ser contida e só vai aumentar com mais gente a bordo, colocando em risco a vida de contratados e terceirizados.

“Eles bateram o martelo da volta justamente quando o País bate recorde de mortes por contaminação da covid-19, e continuam se recusando a discutir com os sindicatos as condições para a volta. A gente acha que o momento é diminuir o efetivo nas plataformas, não aumentar”, explica o diretor da Federação Nacional dos Petroleiros e do Sindipetro-RJ, Eduardo Henrique Costa.

A situação é agravada, segundo os petroleiros, pelo fato de muitos trabalhadores terem origem no Rio de Janeiro, um dos estados em que a contaminação se mantém alta. 

De acordo como coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, a Petrobrás vem amenizando os dados de contaminação, que já teriam ultrapassado as duas mil pessoas, com registro de 14 óbitos. Segundo o boletim semanal do Ministério de Minas e Energia (MME), até o dia 20 de julho eram 1.647 empregados infectados, sendo que 1.452 já haviam sido recuperados, e três óbitos registrados.  De acordo com a Petrobrás, atualmente são 187 empregados com covid-19.

“Eles (a empresa) agem como se não houvesse terceirizados, vamos continuar insistindo que não há condições para essa volta, os casos no Rio de Janeiro só aumentam”, afirma Bacelar.

A Petrobrás informou na semana passada que iria iniciar o retorno gradual do efetivo nas suas plataformas, com antecipou o Broadcast em junho, adotando regras mais rígidas como o monitoramento domiciliar pré-embarque, os testes RT-PCR, e no caso de trabalhadores que não morem na localidade do embarque, o último período de isolamento (3 dias) será feito em hotel, onde será feito o exame. Quem testar positivo será encaminhado para isolamento com acompanhamento médico. Somente o grupo de risco ficou fora do retorno.

O coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Adaedson Costa, afirma que a Petrobrás continua se recusando a discutir a volta ao trabalho com os sindicatos e que a maior preocupação é o número de pessoas que a empresa vai colocar nas plataformas, depois da empresa ter reduzido o efetivo no início da pandemia.

“Vem gente de todo o País para as plataformas, a gente está bastante preocupado. Tudo bem em isolar o pessoal no hotel, mas e os empregados e hóspedes do hotel, quem vai monitorar?”, pergunta o sindicalista, destacando que mesmo com o efetivo mínimo a empresa tem batido recordes de produção, o que não justifica o risco de uma volta prematura.

O sindicato informou que vai acompanhar os embarques amanhã (28) e continuar insistindo com a empresa para que a retomada seja feita em conjunto com os trabalhadores.  “A Petrobrás já está aumentando o número de trabalhadores das plataformas há um tempo, mas agora temos que ficar ainda mais atentos para que não se perca o controle”, diz Costa.

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