Reuters/Alofabi Sotunde
Reuters/Alofabi Sotunde

Plataformas de investimento buscam seu espaço no mercado de remessas globais

Envio de dinheiro entre países, que foi de US$ 468 bi em 2010, deve chegar a US$ 667 bi em 2019, mas uma pequena parte disso vai para investimentos

The Economist, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 05h00

O nigeriano Ayo Adewunmi, negociador de produtos agrícolas que vive em Londres, comprou um sítio de 5 hectares em seu país. Produziu pouco até agora. “Como não estou na Nigéria, dependo de terceiros. E isso não ajuda”, diz ele. 

Adewunmi descobriu agora um modo potencialmente melhor de fazer esse tipo de investimento: por meio da FarmCrowdy, uma plataforma de investimento coletivo (crowdfunding) que empresta para fazendas nigerianas e dá assistência técnica aos proprietários. A startup, que tem dois anos e planeja expandir-se para Gana, outro país africano, deposita grandes esperanças na diáspora africana como fonte de fundos.

O alcance de tais plataformas vai muito além da agricultura. Espera-se que as remessas globais aumentem dos US$ 468 bilhões registrados em 2010 para US$ 667 bilhões em 2019. Remessas globais estão entre as duas maiores fontes de moeda estrangeira para vários países, incluindo Quênia e Filipinas. No entanto, dificilmente o dinheiro é investido.

Isso ocorre em parte porque os receptores usam três quartos do que recebem em despesas básicas, como alimentação e moradia. Mas ocorre também porque emigrantes que querem investir nos países de origem encontram poucas opções. Entretanto, canais de novos investimentos podem atrair muito dinheiro extra – cerca de US$ 73 bilhões por ano apenas em países da Commonwealth, segundo pesquisas do grupo de 53 países – majoritariamente formado por ex-colônias britânicas.

Plataformas de investimentos permitem a investidores destinar quantias modestas a pequenos negócios em países em desenvolvimento – em geral, drasticamente necessitados de dinheiro. Entretanto, das 85 crowdfundings de investimentos de risco do mundo emergente, apenas umas poucas levantam dinheiro no exterior. Muitas plataformas estabelecidas na última década em países ricos para investir em países em desenvolvimento, incluindo Emerging Crowd, Homestrings e Enable Impact, quebraram rapidamente. 

Regras.Um dos maiores problemas é que poucos países em desenvolvimento têm regras sobre crowdfunding. Muitos até agora permitiram a atividade principalmente porque sua indústria é muito pequena, diz Anton Root, da consultoria Allied Crowds. Transferências internacionais usando tais plataformas costumam ser impossibilitadas por regulamentações de países ricos estabelecidas para impedir lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo. 

Alguns países em desenvolvimento entenderam que precisavam agir. Tailândia, Malásia, Cingapura e Indonésia aprovaram recentemente regras para crowdfunding e empréstimos sem intermediários. Nesse campo, a África parece ser a mais inventiva, graças a empreendedores ativos e à ajuda ocidental. 

No mês passado, o governo britânico aprovou a concessão de US$ 300 mil à Associação Africana de Crowdfunding para ajudá-la a criar um modelo de credenciamento e proteção a investidores. Elizabetht Howard, do Lelapa Fund, plataforma que visa à África Oriental, participa de uma investida para fazer tais regras serem adotadas em todo o continente. Segundo ela, isso asseguraria aos países que enviam dinheiro que suas transferências não terminarão em mãos erradas. Elizabeth espera conseguir o apoio do Banco Central dos Países da África Ocidental, entidade que supervisiona oito países de língua francesa, num encontro de crowdfunders e reguladores patrocinado pelo governo francês que terá lugar neste mês em Dakar, no Senegal. 

Thameur Hemdane, da Afrikwity, plataforma voltada para a África francófona, diz que a empresa avalia também se leis em estudo podem ser expandidas para a Comunidade Econômica e Monetária da África Central, um grupo de seis países. Regras harmonizadas não garantirão o sucesso do crowdfunding, mas serão um passo importante para se aumentar o capital da diáspora destinado a uso produtivo. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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