Plataformas digitais ampliam acesso
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Plataformas digitais ampliam acesso

Em 10 anos, dinheiro nos fundos quintuplicou

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 07h30

O patrimônio investido por meio de fundos no Brasil praticamente quintuplicou ao longo dos últimos 10 anos. A afirmação é do diretor da Comdinheiro, Filipe Ferreira, que realizou um levantamento exclusivo para o Estadão sobre os fundos que apresentam melhor desempenho neste ano. “Com o advento das plataformas digitais, muitos investidores passaram a ter acesso a mais ampla gama de estratégias, o que não era possível antes. Uma das grandes vantagens dos fundos, além da gestão profissional, é o acesso a ativos que geralmente são exclusivos a investidores de maior porte, como os títulos de dívidas internacionais”, afirma Ferreira.

Lucas Giorgio, sócio da HIX Capital, concorda que existe uma tendência crescente de busca dos brasileiros por fundos de investimento. “O mercado está se sofisticando rapidamente, e a indústria continua batendo recordes de captação, especialmente as gestoras independentes. Mesmo assim, uma parcela razoável das reservas financeiras e dos investimentos dos brasileiros permanece nas grandes instituições e, por isso, ainda existe muito potencial de crescimento nos fundos.” Para Giorgio, a tendência é que ocorra a sofisticação dos veículos e produtos de investimento, oferecendo mais opções aos investidores brasileiros. 

Para Ferreira, os fundos de investimento vêm numa crescente no Brasil e no mundo e formas mais digitais de se relacionar com o dinheiro têm contribuído com esse processo. “A indústria continuará a se desenvolver especialmente em duas frentes: fundos mais baratos, simples e com baixo custo, assim como os chamados fundos simples e ETFs, e fundos mais complexos alinhados à tecnologia e que permitam o acesso de investidores a mercados mais sofisticados.”

Giorgio destaca que, considerando a enorme volatilidade por causa das notícias macroeconômicas, políticas e da covid-19 que enfrentamos nos últimos dois anos, em geral os fundos de investimento tiveram um desempenho bom. “Especificamente os fundos de ações tiveram uma performance acima de boa parte dos seus respectivos benchmarks. Em 2021, o cenário não mudou e, apesar dos desafios, existem muitas oportunidades boas no mercado”, afirma o especialista.

Ferreira comenta também que os fundos de investimento comportam uma infinidade de classes e ativos e uma ampla gama de características. “Uma de suas grandes vantagens é contar com um profissional à frente da gestão dos investimentos, o que se espera que seja uma vantagem especialmente em tempos de turbulências.”

Na avaliação de Vitor Noronha, CEO e planejador financeiro na K1 Capital Humano, ativos ligados ao crédito estão cada vez mais chamando a atenção dos investidores. “Os fundos de renda fixa de crédito captaram forte nos últimos meses. A Selic em alta tem impulsionado esse movimento. Também estamos observando um crescente interesse dos clientes por investimentos alternativos, como títulos de precatórios e direitos musicais”, diz. “Outra tendência é a procura por investimentos em fundos de venture capital e startups. Todas essas frentes são exemplo de sofisticação do mercado brasileiro perseguindo o que se vê nos Estados Unidos e na Europa. A defasagem tem sido cada vez menor e o Brasil tem seguido as tendências mais rapidamente”, pondera Noronha.

A receita para escolher um fundo

Com mais investidores migrando para os fundos, especialistas destacam que é importante ficar de olho em alguns pontos antes de escolher em qual produto alocar os recursos. “O mercado de fundos é muito amplo e rico, mas o investidor não pode incorrer no erro de delegar cegamente seu patrimônio. Estudar, compreender, buscar informações e se aprofundar é fundamental”, afirma Filipe Ferreira, diretor da Comdinheiro.

O primeiro passo é que os investidores precisam estar atentos à aderência do perfil do fundo ao seu perfil de investidor. “Ao comprar o carro não compramos um superesportivo esperando economia de combustível. Da mesma forma, o investidor conservador não deveria alocar em um fundo de ações alavancado esperando proteção. É preciso se conhecer e fazer escolhas adequadas ao seu perfil”, diz Ferreira. Outro ponto de alerta é que o investidor não deve fazer aplicações olhando apenas a performance recente dos fundos. “Retornos de curto prazo podem ser consequência de ciclos econômicos ou simplesmente sorte. Em ambos os casos, pode ser um grande erro aplicar nesse fundo apenas por essa janela. Robustez no desempenho do gestor ao longo de 3, 5, 10 anos é mais importante do que o retorno da semana passada”, ensina Ferreira. 

 

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Os principais pontos em que o investidor deve ficar de olho são: tipo/estratégia do fundo de investimento – se é um fundo de renda fixa, multimercado, ações, etc., e achar o tipo de investimento que se encaixa na tolerância que ele tem ao risco
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Lucas Giorgio, sócio da HIX Capital

“Além disso, o investidor deve procurar entender qual é a estratégia do fundo e quais ativos estão dentro dele.” Depois, diz o especialista, é importante olhar o histórico do gestor – entrar no site, ler as cartas e entender a filosofia de investimentos da gestora é um importante passo para saber onde você está deixando o seu dinheiro. Também é fundamental olhar as taxas para entender quais são as taxas de administração e performance e, se houver, qual o benchmark do fundo. “Por último, entender o prazo de liquidez do fundo é muito importante, para saber onde encaixar o seu investimento.”

Taxa de administração

Em relação ao impacto da taxa de administração na composição da rentabilidade, Giorgio afirma que tudo depende da estratégia e do perfil do produto. “Um fundo de renda fixa, por exemplo, pode ter o objetivo de atingir uma certa porcentagem do CDI. Se o fundo normalmente entrega algo entre 6% e 8% anualmente, uma taxa de administração de 2% terá um impacto muito negativo na performance líquida (depois das taxas) do fundo. Isso é diferente de um fundo de ações, cujo objetivo pode ser entregar algo entre 20% e 25% anualmente no longo prazo. Nesse caso, uma taxa de administração de 2% ao ano terá um impacto muito menor”, explica.

Ferreira destaca que as vantagens de investir em um fundo não vêm de graça. Para ter acesso a essa gestão profissional e aos demais benefícios desse produto, é usual que fundos de estratégias mais sofisticadas cobrem taxas de administração e até de performance. “O problema é quando a taxa de administração vem alta e não é coerente com a aplicação dos fundos. Vale uma atenção especial para fundos de renda fixa pós-fixado em períodos de taxas de juros mais baixas. Uma taxa de 2% seria suficiente para fazer o gestor ganhar mais do que o cotista. Mas há casos também em renda variável. Não são raros os casos de fundos de ações que cobram 3% a 4% de taxa de administração, o que é extremamente elevado”, finaliza Ferreira.

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