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MDB e setor privado disputam diretoria da Aneel

Senadores tentam emplacar afilhados políticos para vaga que será aberta no dia 13; dois dos atuais diretores foram indicados por Dilma Rousseff

Anne Warth e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2018 | 05h00

BRASÍLIA - A abertura de uma vaga na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) gerou forte interesse no MDB e uma reação do setor elétrico. No próximo dia 13, termina o mandato do diretor Reive Barros dos Santos, e os senadores Edison Lobão (MDB-MA) e Valdir Raupp (MDB-RO) têm atuado para emplacar afilhados políticos para a vaga. Fontes do governo, Aneel e do setor privado avaliam com preocupação a postura do partido, que vê nessa indicação a chance de reassumir o controle sobre as decisões do setor elétrico.

Reive foi funcionário da Chesf, Celpe e da Eletrobras. Sua indicação, em 2014, recebeu o apoio do senador Edison Lobão (MDB-MA), mas esse alinhamento não comprometia suas decisões. A posse do presidente Michel Temer, porém, fortaleceu o uso de indicações como moeda de troca e apoio, o que gerou apreensão na Aneel, a mais preservada do jogo político das agências reguladoras.

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Lobão decidiu apadrinhar Sandoval de Araújo Feitosa Neto, superintendente de Fiscalização de Serviços de Eletricidade da Aneel. Junto com o diretor André Pepitone da Nóbrega, também indicado por Lobão, eles formariam um bloco que pode bater de frente com os atuais diretores Romeu Rufino e Tiago de Barros Correia, indicados pela ex-presidente Dilma Rousseff e com atuação considerada mais técnica.

O senador Valdir Raupp (MDB-RO), por sua vez, trabalha a favor de Efrain Pereira da Cruz, diretor de Gestão das distribuidoras da Eletrobras em Rondônia e no Acre. Esse é nome é o mais criticado nos bastidores, pois as distribuidoras são reconhecidas pelos prejuízos bilionários que geram à holding todos os anos.

Na tentativa de combater a politização da Aneel, empresas privadas se movimentaram para indicar Marco Delgado, diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Delgado é engenheiro eletricista, tem mestrado e doutorado em Planejamento Energético e já trabalhou na Light.

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O Instituto Acende Brasil, que tem como clientes as principais empresas do setor, também apoia o executivo. O presidente da entidade, Claudio Sales, disse que Marco Delgado reúne os atributos necessários para o cargo, como formação acadêmica robusta e experiência no setor. "Seria desejável que ao menos um dos diretores tivesse passagem por empresas privadas no setor, pois isso enriqueceria as decisões do colegiado", disse Sales. "Decisões regulatórias e pressões políticas não combinam."

Em agosto, terminam os mandatos de Rufino, Pepitone e Correia, único com direito à recondução. Mas o MDB trabalha para indicar Pepitone como diretor-geral, o que lhe daria mais quatro anos de atuação na agência e ainda mais força ao partido, conhecido por sempre ter tido o comando do setor elétrico.

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As indicações políticas são comuns em agências reguladoras, disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que apoiou o nome do consultor legislativo Rodrigo Limp para a Aneel, confirmada por Temer no mês passado. "Limp é o mais preparado para o cargo de sua geração. Ele é um excelente técnico, foi da Aneel e hoje é funcionário de carreira da Câmara", disse, ressaltando que as indicações ocorrem "em todo o lugar do mundo".

Procurado, Lobão disse que Sandoval e Pepitone são técnicos de carreira da Aneel e negou ter conhecimento sobre a troca no comando da Aneel. Raupp não se pronunciou. A Abradee não quis comentar. Marco Delgado e Efrain Cruz não se manifestaram. A Aneel informou que Sandoval Feitosa está em férias.

Nos bastidores, Edison Lobão atua como um dos principais aliados do ex-presidente José Sarney (MDB-AP) no Senado, principalmente no setor elétrico, dominado pelos peemedebistas há anos. No governo da ex-presidente Dilma Rousseff, integrantes do partido ficaram insatisfeitos com a perda de espaço no setor e agora tentam ampliar sua influência.

Em 2014, Sarney, Lobão, Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR) articularam uma "rebelião" para tentar inviabilizar a recondução de Romeu Rufino ao cargo, nome defendido por Dilma. Na ocasião, apenas o nome de André Pepitone, que é ligado à legenda, foi aprovado. A nomeação de Pepitone só foi publicada no Diário Oficial da União após o plenário Senado também a provar o nome de Rufino. 

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