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Pneus, ambiente, saúde e asfalto borracha

O consumo aparente de pneus no Brasil superou 93 milhões de unidades em 2012, somando todas as categorias de uso. Cerca de 60% foram fabricados no País e o restante, importado. As dez indústrias do setor, com 17 fábricas de padrão tecnológico mundial em seis Estados, respondem por 1% do PIB industrial, empregam 26 mil pessoas, pagam o maior salário médio da indústria manufatureira, de acordo com o IBGE, e geram outros 150 mil postos indiretos. Abastecem o setor automotivo e outros no Brasil, exportam parte da produção e mantêm o maior programa de logística reversa do País, recolhendo pneus inservíveis em mais de 800 pontos. Esse trabalho é feito pela Reciclanip, associação sem fins lucrativos mantida pela indústria, com investimentos que em 2013 atingem R$ 80 milhões.

Alberto Mayer,

20 de setembro de 2013 | 02h04

A durabilidade e a resistência do pneu à destruição após o término da vida útil fazem com que ele seja visto como inimigo do meio ambiente, pois, largado em terrenos sem preparo, pode se tornar um criadouro de insetos, em especial o da dengue. Por isso o Ibama acompanha o descarte correto e a atuação da Reciclanip com base em parâmetros anuais que vêm sendo superados pela entidade, atingindo mais de 100% da meta de recolhimento.

Apesar desse monumental esforço, envolvendo uma frota de caminhões que percorre o País todo para recolher pneus inservíveis e entregar aos recicladores ou a produtores de cimento, que não existem em todas as regiões, ainda sobram pneus não recolhidos e não destruídos ou reciclados. Isso porque mais de 40% dos pneus são importados e parcela significativa dos importadores não atende às exigências do Ibama de recolhimento de inservíveis. Parte deles não tem existência regular e não é cobrada, enquanto outros apresentam certificados de destinação dos inservíveis de origem duvidosa, e muitas vezes a fiscalização é deficiente.

O recolhimento pela Reciclanip é feito por convênios com empresas ou prefeituras, que cedem áreas para descarte provisório. A entidade retira tudo o que está nesses locais, sejam pneus produzidos no País ou importados, o que aumenta seu custo sem poder repassar as despesas aos responsáveis. Essa parcela de produtos importados que não atende às exigências de recolhimento pós-consumo afeta a produção nacional, que vem caindo nos últimos anos pela dificuldade de competir, em razão do custo Brasil, e ainda é responsável por um passivo ambiental e de saúde, como a expansão da dengue.

Os pneus inservíveis recolhidos têm três destinos principais: queima em fornos de cimento, que é onerosa para a Reciclanip; trituração em instalações específicas, separando a borracha do aço (este é reutilizado depois pelas indústrias siderúrgicas e metalúrgicas); e produção direta de artefatos como sandálias e outros. Já a borracha resultante do processo de separação do aço é transformada em asfalto borracha ou reciclada na indústria de artefatos.

Cerca de 33% do custo da Reciclanip são tributos pagos pela entidade e seus fornecedores, em especial empresas que realizam o recolhimento e transporte até o local de destinação adequada. A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) sugere a desoneração de tributos na reciclagem de todos os produtos pelos três níveis de governo, pois o Plano Nacional de Resíduos Sólidos criou mais responsabilidades aos produtores. Outra medida que a indústria de pneus sugere é estimular o uso do asfalto borracha na pavimentação urbana, especialmente nas estradas. Concessionárias de rodovias já usam o produto por suas qualidades: maior durabilidade do pavimento, melhor aderência do veículo ao solo, mais eficácia na frenagem, menos trincas e formação de trilhas de rodagem.

Essas medidas permitirão reduzir o passivo ambiental e de saúde causado pelo descarte inadequado dos pneus, oferecer mais segurança em ruas e rodovias e aumentar a competitividade da indústria nacional, que disputa mercado com produtos que não têm a mesma qualidade, não são onerados pelo custo Brasil e não pagam o trabalho de recolhimento de inservíveis.

* É PRESIDENTE EXECUTIVO DA ANIP

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