Pobreza atinge 18,2% da população argentina

Números de pesquisa divulgada por central sindical são quase quatro vezes maiores que os dados oficiais

Marina Guimarães correspondente, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2014 | 02h03

BUENOS AIRES - A pobreza na Argentina atingiu 18,2% da população, ou 7,7 milhões de pessoas, no último semestre de 2013, segundo pesquisa divulgada pela Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), alinhada ao governo da presidente Cristina Kirchner. O número é sensivelmente superior aos 4,7% (2 milhões de pessoas) que mostram os últimos dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), divulgados em outubro passado, referentes ao primeiro semestre do mesmo ano. A CTA disse que 1,8 milhão de pessoas (4,2% da população) são indigentes.

Realizada pelo Centro de Investigação e Formação da República Argentina (Cifra), instituição respeitada no mercado, a pesquisa surge em meio a forte pressão social provocada pela perda do poder aquisitivo e ausência das estatísticas oficiais. Na última semana de abril, o governo deveria ter divulgado os índices de pobreza e indigência verificados nos últimos seis meses de 2013. Porém, a divulgação foi adiada sem previsão de nova data.

Sob intervenção oficial desde 2007, o Indec recalculou os índices de inflação a partir de fevereiro último, que passaram a estar mais próximos das apurações independentes. Porém, a pesquisa sobre o PIB, divulgada há algumas semanas, provocou polêmicas ao apontar crescimento de 3% em 2013, contradizendo o próprio Indec, que havia apontando um crescimento de 4,9%.

Embora elevados, os números da CTA estão abaixo da conceituada pesquisa denominada "monitor da dívida social da Argentina", da Universidade Católica (UCA), que aponta um índice de pobreza de 27,5%. O porcentual equivale a 11,5 milhões de pessoas. Outros 2,3 milhões (5,5%) são indigentes. Para a Central Geral do Trabalho (CGT) dissidente - de oposição ao governo -, a pobreza já atinge 30,1% da população. O número, mesmo assim, estaria abaixo do pior momento da Argentina, em 2001, quando atingiu 52%.

Protesto. Ontem, Cristina Kirchner enfrentou mais um dia de protestos em Buenos Aires, com uma mega passeata contra a insegurança, a inflação e a pobreza. O protesto foi convocado pela Central Geral do Trabalho (CGT) dissidente. Com o centro da cidade engarrafado, a passeata se dirigiu à Praça de Maio, tradicional palco de todas as manifestações públicas importantes na Argentina. No alto do palco montado em frente à Casa Rosada, sede do Executivo, a CGT mandou sua mensagem em cartaz com uma sugestiva frase: "Políticos, prestem atenção. Somos o futuro".

O líder da central sindical é Hugo Moyano, oriundo do sindicato dos caminhoneiros e aliado do governo Kirchner até outubro de 2010, quando morreu o ex-presidente Néstor Kirchner. A presidente Cristina nunca ocultou a antipatia pelo sindicalista que, desde então, foi colocado na lista de opositores.

Moyano certa vez revelou ao Broadcast suas aspirações de ser "o Lula argentino". A ala da CGT liderada pelo líder do sindicato da gastronomia, Luis Barrionuevo, também participou do protesto.

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