Pobreza atinge 57,5% da população argentina

A pobreza na Argentina ultrapassou todos os recordes históricos do país, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), que constatou serem pobres 57,5% da população. Em maio do ano passado, quando foi realizada a última medição, a pobreza atingia 53% dos argentinos. Há 25 anos, a porcentagem era de 6% e o país se autodenominava "um pedaço da Europa na América do Sul". A indigência também cresceu, para 27,5% - 2,7% mais do que a pesquisa de maio de 2002. Desta forma, 19,67 milhões de pessoas são pobres na Argentina e, desse total, 9,41 milhões são indigentes. Os planos de assistência social não tiveram sucesso em reduzir a pobreza. Os subsídios mensais de 150 pesos (US$ 46,43) concedidos a quase 2 milhões de pais e mães de família desempregados reduziram artificialmente o desemprego para 17,3% da população economicamente ativa. No entanto, concordam os analistas, sem este subsídio o desemprego chegaria a 24%. Um dos principais especialistas em desemprego e pobreza no país, o sociólogo Artemio López, afirma que a pobreza aumentou nos últimos anos por causa das variações de preço dos produtos. "O aumento de 1% no custo da cesta básica implica 75 mil novos pobres", constata. Ainda segundo López, em diversos municípios da Grande Buenos Aires, 85% das crianças são pobres. Metade destas crianças seriam indigentes. A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) também observou o aumento da pobreza na Argentina. Segundo um relatório elaborado pelo organismo, a distribuição da receita no país "piorou persistentemente" nos últimos 25 anos. O ministro da Economia Roberto Lavagna, porém, mostrou-se irritado com os números do Indec e questionou a metodologia utilizada pelo instituto para elaborar os índices de pobreza. "Há graves problemas estatísticos", afirmou. "No cálculo está incluído gastos com o carro, lazer e turismo." Para o economista Ernesto Kritz, da Sociedade Estudos Laborais,_ "há algo de certo nas palavras do ministro", mas, mudar a metodologia só levaria um aumento dos indigentes.ArrecadaçãoDados preliminares fornecidos pelo secretário de Fazenda, Jorge Sarghini, indicam que a arrecadação tributária em janeiro seria de 5,4 bilhões de pesos. Desta forma, a arrecadação ultrapassaria o recorde obtido em novembro, quando a Receita Federal anunciou 5,020 bilhões de pesos, 48% a mais do que o arrecadado em janeiro de 2002, 3,41 milhões de pesos. No entanto, os analistas afirmam que esta alta na arrecadação não é motivo para celebração. Janeiro do ano passado foi um mês de profundo estancamento econômico por causa da crise social que assolava o país. Além disso, o sistema financeiro permaneceu imobilizado durante alguns dias no período. O secretário Sarghini, entretanto, observa que, em comparação com dezembro do ano passado, quando a economia já estava estabilizada, janeiro já apresenta uma alta de 30%, fato que indicaria uma recuperação econômica. Bush e FMIO presidente americano George W. Bush conversou ontem por telefone com o presidente Duhalde, para "parabenizá-lo" pelo esforço para tirar a Argentina da crise. O presidente argentino agradeceu o apoio do colega americano para fechar o acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Na semana que vem desembarcará uma missão conjunta do FMI e do Banco Mundial para discutir com o governo argentino um novo aumento nas tarifas das empresas de serviços públicos privatizados. O anúncio foi feito pelo diretor de relações externas do FMI, Thomas Dawson. "A questão dos preços de serviços públicos é uma questão em que estamos trabalhando", disse Dawson. Mas estamos ansiosos para ver o que pode ser feito até as eleições." O governo argentino disse que elevaria as tarifas dos serviços públicos em 10%, mas o Fundo defende, inicialmente, a necessidade de um aumento de 30% para impedir a falência das companhias - a maioria de capital estrangeiro -, uma vez que a inflação argentina subiu 40% durante os primeiros nove meses de 2002. Nesta semana, Duhalde decretou uma alta de 9% nas tarifas de energia elétrica e de 7,2% no gás. ReestruturaçãoA escolha do banco internacional que atuará como consultor na negociação para reestruturação da dívida da Argentina será adiada porque o Credit Lyonnais Securities contestou o processo, informou o Ministério da Economia argentino. Segundo uma fonte do Ministério, o governo ia escolher o banco na segunda-feira, mas isso agora se mostra impossível e não há previsão de quando isso pode acontecer. O Credit Lyonnais Securities foi um dos quatro bancos deixados de fora da lista final de candidatos a consultor pelo Ministério da Economia argentino, que foi divulgada no dia 22. Os três bancos que fazem parte da lista de finalistas são Lazard Freres, Morgan Stanley e UBS Warburg.

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