Poço da ANP no pré-sal tem 2 bilhões de barris

Área contém o equivalente a 15% das reservas totais do Brasil, mas ainda não garante volume suficiente de petróleo para a capitalização da Petrobrás

Kelly Lima, Nicola Pamplona do Rio, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Estimativas iniciais da Agência Nacional de Petróleo (ANP) apontam para uma reserva de 2 bilhões de barris na área do poço Franco, perfurado para encontrar o petróleo que será usado no processo de capitalização da Petrobrás. A perfuração deve ser concluída nos próximos dias e o resultado final, anunciado pela agência em até duas semanas.

O volume representa cerca de 15% das atuais reservas brasileiras de petróleo. Mas não seria suficiente para garantir a proposta de cessão onerosa de reservas pela União à Petrobrás, que prevê a transferência de até 5 bilhões de barris. Assim, ANP e estatal terão de perfurar outros poços em busca de novas reservas, o que poderá atrasar ainda mais o processo de capitalização.

Por enquanto, a estimativa de Franco vem sendo mantida em sigilo pela ANP, mas foi confirmada ao Estado por duas fontes próximas ao processo. Perfurado a nordeste da descoberta de Iara, na região do pré-sal da Bacia de Santos, o poço já atravessou dois reservatórios de petróleo. O último, a 5,4 mil metros e abaixo da camada de sal, foi anunciado na terça-feira.

Segundo as fontes, o poço atingiu um reservatório com 20 bilhões de barris de petróleo "in place" (termo que define toda a quantidade de petróleo no local, grande parte impossível de ser extraída). Desse total, 10% podem ser recuperados, segundo projeções iniciais da agência, por dificuldades técnicas de extração, chegando a um volume de reservas recuperáveis de 2 bilhões de barris.

Ampliação. Com algum esforço, disse uma das fontes, o fator de recuperação poderia ser ampliado para até 17%, o que significaria ampliar as reservas a 3,4 bilhões de barris. Na média, as jazidas de petróleo no Brasil têm fator de recuperação entre 20% e 30% de todo o petróleo "in place". O poço, que tem o código de 2-ANP-1RJS, está sendo perfurado desde dezembro de 2009.

Em evento realizado em Salvador esta semana, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, informou que uma estimativa oficial deve ser divulgada em dez dias, após o processamento dos dados geológicos colhidos no poço. A ANP já iniciou também o processo de contratação de uma auditoria independente, que avaliará as reservas usadas na capitalização da estatal.

A proposta do governo é vender essas reservas à estatal e usar o dinheiro arrecadado para comprar ações da companhia, que precisa ampliar seu capital para fazer os investimentos necessários à exploração do pré-sal. Os projetos de lei que permitem a operação estão sendo avaliados no Senado. Além de permitir a capitalização, a descoberta de reservas no poço Franco confirma a extensão do pré-sal a norte da região de Tupi, que até agora concentra as ações da área de exploração da Petrobrás.

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