Poço Libra abre nova fase de exploração no País

A área de Libra praticamente inaugura uma nova fase exploratória de petróleo no País. O potencial de reservas já identificado antes mesmo do leilão reduz imensamente os custos para os investidores que a disputarem.

Cenário: Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Em 1998, foi aberto o mercado do petróleo no Brasil, pouco se conhecia das camadas geológicas. A opção adotada foi a de atrair investimentos privados para promover o desenvolvimento dos blocos e estimular maior conhecimento técnico das áreas exploratórias.

Nessa fase, o leilão previa que os investidores pagassem bônus para adquirir a concessão. O investidor que a arrematasse se comprometia a perfurar poços e, no caso de encontrar reservas, desenvolvê-las.

Parte da área de Libra chegou a ser leiloada nesse sistema e foi arrematada pela Shell. Era parte do bloco BS-4. A companhia chegou a encontrar gás, mas optou por devolver parte da área à ANP, numa época em que não havia conhecimento técnico suficiente para explorar o pré-sal.

A área e suas adjacências seriam ofertadas novamente na 9.ª Rodada, realizada pela ANP em 2007. Mas, com a descoberta de Tupi, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) optou por retirar do leilão qualquer área que estivesse localizada próximo ao local e com características semelhantes às da megarreserva de Tupi.

Diante da descoberta do pré-sal, o governo decidiu mudar o marco regulatório, substituindo a concessão por um sistema de partilha, no qual a União detém as reservas e os investidores apenas o direito de explorá-las mediante o pagamento de seus custos mais parcela de lucro.

Pelo novo modelo, a Petrobrás vai operar todas as áreas do pré-sal, o que significa que a estatal terá de aportar, pelo menos, 30% dos recursos destinados ao desenvolvimento de Libra, mas não precisará disputar o leilão.

A ANP contratou uma sonda da Petrobrás para perfurar as áreas ainda não concedidas e identificar seu potencial. Libra revelou-se a maior acumulação já nos estudos sísmicos, bem superior aos dos outros prospectos, como Franco, uma das principais áreas entregues pelo governo à estatal. Não deve ter sido à toa que Libra foi deixada de fora desse conjunto de áreas cedidas à Petrobrás no processo de capitalização.

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