Poço sem fundo da indústria

Detalhamento da pesquisa do IBGE mostrou que, com exceção de bens de consumo duráveis, os demais segmentos recuaram

Leandro Padulla*, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2015 | 02h03

Segundo o IBGE, a produção industrial caiu 1,5% em julho. Tanto a indústria extrativa quanto a de transformação contribuíram negativamente para o desempenho geral, com quedas praticamente iguais. No caso da indústria extrativa, após um primeiro semestre de expansão, a extração de petróleo e de minério de ferro perde força no segundo semestre. Já a indústria de transformação voltou ao nível de abril de 2009, sem sinais de melhora.

O detalhamento da pesquisa mostrou que, com exceção de bens de consumo duráveis, os demais segmentos recuaram. Porém, a forte melhora da produção de bens de consumo duráveis ocorreu por causa da base de comparação deprimida em função da paralisação de algumas montadoras em junho. Para agosto já temos notícias de novas paradas, o que torna o cenário ainda pior.

A forte alta nos bens duráveis não foi suficiente para levar a indústria para o terreno positivo e mostra quão disseminado está o enfraquecimento.

A julgar pelo resultado, o que podemos esperar no futuro próximo?

Quando examinamos os dados de confiança do empresário vemos o indicador no nível mais baixo da série histórica e o nível de estoques em situação crítica. Esses fatores, aliados a uma queda intensa da demanda, geram um quadro desafiador. A indústria deverá piorar antes de melhorar.

A consequência será vista no PIB, que deverá encerar 2015 com queda em torno de 3,0%, com a indústria dando a maior contribuição negativa.

*É economista da MCM Consultores.

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