Pode faltar eletrodoméstico na Argentina, dizem importadores

A Argentina pode enfrentar um desabastecimento de refrigeradores, fogões, máquinas de lavar roupa e televisores com as barreiras tarifárias e não-tarifárias impostas pelo governo Kirchner contra estes produtos do Brasil. O alerta foi feito à Agência Estado pela Câmara de Importadores da Argentina (CIRA) e pelas multinacionais que exportam do Brasil para a Argentina, entre elas Bosch e Electrolux. De acordo com os importadores, haveria um aumento entre 20% a 30% nos preços destes eletrodomésticos para os consumidores argentinos. "Quando o governo toma este tipo de medida,quem sofre é o consumidor", disse à AE o engenheiro Carlos Restaino, da CIRA.Ele explicou que a alta dos preços será inevitavelmente provocada por um desabastecimento que ocorreria num curto prazo, já que 50% dos produtos vendidos na Argentina são de origem brasileira. Segundo o engenheiro, "o governo diz que são somente três fabricantes argentinos e estes não poderão abastecer o mercado local". Fabricantes negam possível desabastecimento Por outro lado, os fabricantes argentinos, como Alladio e Frimetal, garantem que não haverá desabastecimento. Segundo um empresário argentino, os produtos locais estão encalhados porque os de origem brasileira entram mais baratos no mercado argentino e são mais vendidos. Além disso, os importadores "não são bobos e se prepararam com estoques para vender durante vários meses porque sabiam que estas medidas seriam adotadas", disse a fonte.No primeiro semestre deste ano, a empresa alemã Bosch importou 50 mil unidades de eletrodomésticos do Brasil para abastecer o mercado argentino, conforme números do gerente comercial Ricardo Gonzaléz. Ele afirma que a empresa vai "aceitar as regras do jogo impostas pelo governo", mas a Bosch analisa a possibilidade de montar uma fábrica na Argentina. Já na cadeia francesa Carrefour ainda não se sabe qual a estratégia que será adotada.

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