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‘Podemos ter Selic de um dígito no fim do ano’

Para economista, início do governo Trump e andamento de reformas no Brasil devem ditar ritmo da queda dos juros

Entrevista com

José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2017 | 21h26

Os próximos meses serão definitivos para o futuro imediato da política de juros do Banco Central, segundo José Márcio Camargo. Para o professor do Departamento de Economia da PUC-Rio e executivo da Opus Investimentos, o governo terá de ditar o ritmo de revisão da taxa de juros de olho na definição da política econômica de Donald Trump, a partir do próximo dia 20, e do andamento de reformas, como a previdenciária. A seguir, trechos da entrevista ao Estado.

Como interpretar a queda de 0,75 ponto porcentual na taxa de juros? O governo tem pressa?

O porcentual de queda maior agora não é totalmente fora de propósito, embora eu acredite que uma redução mais conservadora, de 0,5 ponto porcentual, tivesse sido melhor, até para sinalizar mais segurança para o mercado de que poderemos chegar a uma taxa mais baixa no fim do ano. Ainda assim, podemos chegar a uma Selic de um dígito, abaixo de 10%, se tudo der certo e a inflação permanecer controlada. De qualquer modo, 0,25 ponto não é tão importante, ao se pensar que a taxa de juros estava nas alturas. O governo sabe que tem de mexer nos juros para aquecer a economia.

As mudanças na Selic têm sido operadas em um ritmo correto?

Sim, o Banco Central demonstrou que tentava levar as expectativas de inflação à meta, de 4,5%, resistindo a uma pressão de mexer nos juros antes do tempo. Isso sinalizou para o mercado que a preocupação com a meta de inflação era real, o que era necessário, pois essa equipe pegou um BC com pouca credibilidade, fruto da leniência dos últimos anos.

Como deverão ser as próximas reuniões do Copom?

Os próximos meses vão ser definitivos para o futuro da taxa básica de juros. O Banco Central terá de operar de olho no sucesso do governo Temer em aprovar reformas, como a previdenciária, propor mudanças nas regras tributárias e ainda seguir uma política fiscal correta, sem alta de gastos. Também teremos de ver como vai se comportar Donald Trump na Casa Branca.

O cenário internacional pode influir nas decisões do Copom?

Sim. Caso Trump cumpra suas promessas protecionistas e suba gastos, haverá alta da inflação. O Fed (o BC americano) será obrigado a assumir uma postura mais dura e subir mais os juros. Se o cenário externo se deteriorar, o Brasil terá de rever seus planos.

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