Poder aquisitivo dos argentinos caiu 23,8% em 2002

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que os assalariados argentinos têm poder aquisitivo cada vez menor. No anopassado, o poder de consumo dos assalariados com carteira assinada despencou 23,8%. Esta situação proporciona um panorama desolador às lojas, shoppings e supermercados dos bairros das principais cidades argentinas, que grande parte do dia ficam às moscas.O fator que causou a queda do poder de consumo foi a inflação, que, no ano passado, chegou a 21%. No entanto, a inflação dos produtos da cesta básica foi de 41%. Além da inflação, grande parte dos assalariados sofreu cortes nominais drásticos de seus salários.Os funcionários públicos, que no ano passado padeceram redução salarial entre 13% e 30%, dependendo da categoria, tiveram perda de 28,7% do poder aquisitivo. Mas, o setor mais atingido foi o dos assalariados sem carteira assinada. Estes trabalhadores informais perderam 33,2% da capacidade de consumo.Do total dos oito milhões de assalariados argentinos, metade tem carteira assinada. Outros 30% estão na máquina estatal, enquanto 20% integram o mercado informal. De forma geral, metade dos assalariados argentinos ganha mensalmente menos de 400 pesos (US$ 121).A perspectiva é que o poder aquisitivo caia mais ainda neste ano, caso não ocorram aumentos salariais. Segundo previu o próprio governo do presidente Eduardo Duhalde no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação em 2003 chegaria a 35%.No meio de uma recessão que dura mais de quatro anos e meio, em um cenário no qual os salários compram cada vez menos bens e serviços, os argentinos começaram a pensar cada vez mais na alternativa de se tornarem seus próprios patrões. Isso é o que indica uma pesquisa da Global Enterpreneurship Monitor (GEM), que sustenta que o país passou de um índice de atividade empreendedora de 10,5%, em 2001, para 14,2%, em 2002. No ano 2000, o índice era de 7,8%.Desta forma, um em cada sete argentinos entre 18 e 64 anos é seu próprio patrão. Segundo a GEM, a Argentina estaria em quinto lugar no ranking de países empreendedores, atrás de Tailândia, Índia, Chile e Coréia do Sul. A GEM sustenta queatualmente existem três milhões de argentinos em novos empreendimentos.Estes empreendedores estão concentrados principalmente no setor de consumo - restaurantes, educação e serviços da área de saúde (61% dos casos); setores denominados pela GEM de ?transformação?, como construção civil, transporte, comércio e indústria (26%); serviços empresariais, como seguros, propriedades,consultorias, serviços profissionais (10%) e empreendimentos nas áreas de agricultura,pesca e mineração (3%).O ministro do Interior, Jorge Matzkin, admitiu neste domingo que foi ?um erro? não se ter realizado uma ?saída ordenada? da conversibilidade econômica, que durante dez anos e meio estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar.Matzkin sustentou que toda a sociedade pagou os custos do fim desordenado desse sistema. A conversibilidade foi eliminada pelo presidente Duhalde em janeiro do ano passado, fato que causou uma disparada da cotação da moeda americana e o aumento da inflação,além de uma série de problemas no setor financeiro.Leia o especial

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