Polêmica sobre Itaipu ignora questão mais importante, diz professor

Para professor da USP, as reivindicações do Paraguai fazem sentido, mas Brasil também tem sua parcela de razão

Cláudia Ribeiro, do estadao.com.br,

22 de abril de 2008 | 17h48

Assim como aconteceu com o gás boliviano, o Brasil enfrenta agora negociações para definir um novo preço para a energia de Itaipu vendida pelo Paraguai. O presidente eleito, Fernando Lugo, quer que o Brasil pague um "preço justo" para as tarifas pela energia elétrica que o país não consome e repassa como excedente ao mercado brasileiro. O Brasil admite negociar as tarifas, mas não quer mexer nos contratos. "Este será mais um braço-de-ferro e mais uma vez o aspecto político deve prevalecer, em detrimento das questões econômicas", afirma o professor Edmilson Moutinho dos Santos, do Instituto de Energia Eletrotécnica da Universidade de São Paulo (USP). Veja também: Entenda o Tratado de Itaipu e a reivindicação do Paraguai Brasil admite negociar tarifa de Itaipu Lugo quer iniciar revisão do Tratado de Itaipu 'o mais rápido possível'  Consumidor brasileiro é quem deverá pagar a conta   Segundo ele, as reivindicações do Paraguai fazem sentido, mas o Brasil também tem sua parcela de razão. Ele explica que a tarifa de energia paga pelo Brasil não deve seguir o valor de mercado porque o País endividou-se para construir Itaipu. "Por isso, uma tarifa menor seria justificável, justamente para recuperar o investimento na produção de energia", explica. Por outro lado, ele questiona o valor pago pelo Brasil, o qual é "insignificante" perto da necessidade de energia do País. "O que são US$ 307 milhões por 19% da necessidade de energia que temos? Tudo vai depender de quando isso for negociado. Em um momento de escassez de energia, os US$ 2 bilhões pedidos por Lugo serão justos", afirma. Para o professor, portanto, nenhuma das duas posições é completamente equilibrada. "E o pior é que a discussão ficará em cima de aspectos políticos, enquanto a preocupação deveria ser outra: acertar o preço rapidamente, acertar o modelo de desenvolvimento do bloco Mercosul e ir para frente", explica.

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