Polícia ameaça protesto de agricultores em Araçatuba

A Polícia Rodoviária deu prazo até o meio-dia para os agricultores desbloquearem as duas pistas da rodovia Marechal Rondon (SP-300), entre os quilômetros 535 e 534, em Araçatuba. A rodovia está ocupada por máquinas agrícolas, tratores e caminhões desde as 12 horas de segunda-feira e, desde às 14h30 de terça-feira, o trânsito foi totalmente paralisado na região.O bloqueio faz parte de um protesto contra a crise na agricultura promovido por associações de plantadores de grãos e produtores de leite da região. Os produtores dizem que não vão sair. A Polícia ameaça usar a força.Ontem, cerca de 1.500 trabalhadores rurais participaram, na Esplanada dos Ministérios, da manifestação do "12º Grito da Terra", uma iniciativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. O ato foi uma forma de protesto à política adotada pelo governo com o setor, e suas principais reivindicações foram a garantia de preços mínimos para os produtos da agricultura familiar, a renegociação de dívidas rurais e a liberação de R$ 11 bilhões para o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).Com este mesmo objetivo, houve protestos em várias regiões do País durante todo o dia:- Paraná: cerca de 300 produtores rurais de São Paulo e do Paraná bloquearam durante quase 10 horas, a Rodovia Francisco Alves Negrão (SP-258), na divisa entre os dois Estados, em protesto contra a política agrícola do governo. O bloqueio começou às 7 horas, no km 342, em Itararé, e foi encerrado pouco antes das 17 horas. Os agricultores estacionaram tratores, colheitadeiras e caminhões sobre a pista. Só era permitida a passagem de automóveis, ambulâncias e caminhões com produtos perecíveis. Foram estendidas faixas na beira da estrada com frases contra o governo Lula;- Bahia: Produtores rurais do oeste baiano, maior pólo agrícola do Nordeste, bloquearam as duas principais estradas da região, a BR-242 e a BR-020, que ligam os municípios de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães aos estados de Tocantins, Goiás e Brasília. Dezenas de carretas e caminhões foram colocados nas pistas desde as 7 horas da manhã, interditando todo o tráfego nos dois sentidos. Os manifestantes só permitem a passagem de ambulâncias;- Goiás: pacote com novos protestos contra a política agrícola do governo federal é preparado pelos produtores agrícolas em Goiás. Eles se uniram aos setores de indústria, comércio e de prestação de serviços. Representantes dos agricultores afirmam que o clima poderá ficar tenso e alertam que os bloqueios de estradas vão se multiplicar em todo o Estado;- Mato Grosso do Sul: produtores rurais chegaram pela manhã montados em 400 cavalos e levando na frente uma tropa de 50 burros, sem montaria. Também máquinas agrícolas, caminhões, utilitários, automóveis e motocicletas faziam parte da movimentação que congestionou o centro da cidade. Em Corumbá, pecuaristas distribuíram três mil quilos de carne bovina. De graça, o produto entregue em bandejas de isopor pesando um quilo cada, deu apenas para a metade das pelo menos seis mil pessoas que formaram uma longa fila em volta do quarteirão central da cidade;- Mato Grosso: as principais rodovias federais que dão acesso às regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do País foram bloqueadas parcialmente. Houve bloqueios em 13 pontos das BRs-163, 364, 158 e 70. A estratégia foi barrar o transporte de grãos, fibras, carnes, insumos e fertilizantes. Em Cuiabá, cerca de 500 representantes da indústria, comércio, transportes e estudantes fizeram uma passeata em apoio aos agricultores. Em Rondonópolis, os produtores agrícolas queimaram uma colheitadeira, fardos de rejeito de algodão e pneus velhos, além de bloquearem a BR-163, que dá acesso a Campo Grande e São Paulo, e a BR-364, que dá acesso à Ferronorte e a Goiás;- Maranhão: cerca de 1.500 agricultores maranhenses participaram de protestos em sete cidades - Balsas, Bacabal, Imperatriz, Açailândia, Grajaú, Barão de Grajaú e Chapadinha. Três rodovias federais do sul do estado - BR-222, BR-135 e BR-230 - foram interditadas em Balsas, Barão de Grajaú e em Açailândia. Uma passeata reuniu mais de 1.000 produtores rurais, a grande maioria pecuaristas, em Bacabal para onde converge grande parte da produção de leite do estado. O protesto mais agressivo ocorreu em Balsas, distante 790 km de São Luís e onde estão estabelecidos a grande maioria dos sojicultores do Maranhão. Os agricultores levaram caminhões, tratores e colheitadeiras para a rodovia que cruza a cidade - a BR-230.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.