Polícia Federal suspeita que mais fiscais têm conta na Suíça

A Polícia Federal (PF) deve abrir novo inquérito para investigar indícios de que outros servidores públicos, além do ex-subsecretário de Administração Tributária Rodrigo Silveirinha Corrêa e sete funcionários presos, têm contas ilegais na Suíça. Um dos motivos é um documento enviado por autoridades suíças à PF brasileira, em 21 de março, pedindo informações sobre mais oito brasileiros sob investigação no mesmo inquérito suíço.A mensagem não menciona se são titulares de depósitos, mas há entre eles pelo menos dois fiscais estaduais e um auditor federal. Uma das integrantes da lista é Lilian Nigri, ex-superintendente de Fiscalização da Secretaria da Fazenda, que já prestou depoimento na CPI dos Fiscais da Assembléia Legislativa fluminense. Não há até agora nenhuma evidência contra ela ou os outros citados no documento, enviado pela Divisão de Lavagem de Dinheiro da polícia suíça. Os demais citados na relação são em sua maioria nomes novos na investigação do Brasil.RepatriaçãoA prisão de Silveirinha e dos outros sete fiscais não será suficiente para que o Brasil possa reaver os US$ 33,4 milhões supostamente transferidos por eles para bancos suíços. A informação foi dada pelo governo suíço. Segundo a lei local, os fiscais terão de ser julgados e condenados para que o dinheiro possa sair da Suíça. Os oito fiscais são acusados transferir US$ 33,4 milhões ilegalmente para o Discount Bank, comprado mais tarde pelo banco UBP de Genebra. "É necessário que haja uma sanção penal contra os acusados", afirma um assessor jurídico do governo de Berna.Outra possibilidade, segundo os juristas, seria os acusados assinarem um acordo em que, além de reconhecer que têm contas na Suíça, autorizassem a devolução do dinheiro. Até hoje, a maioria dos casos de lavagem de dinheiro na Suíça, porém, não foi resolvida assim. Mas Berna lembra que vários governos oferecem uma redução das penas se os acusados assinarem o acordo. Casos famosos de lavagem de dinheiro na Suíça mostram que muitas vezes os governos levam anos para reaver seu dinheiro. Os milhões do ex-presidente mexicano Carlos Salinas, por exemplo, preso em meados dos anos 90, ainda não foram liberados.

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