Polícia francesa intensifica investigação à fraude no Société

Investigadores franceses intensificaramos esforços para descobrir como um corretor da Société Généraleenganou seus empregadores e causou uma perda de 7 bilhões dedólares, e anunciaram que ele não está foragido e seráinterrogado em breve. Jerome Kerviel, 31, não é visto em público desde que obanco francês surpreendeu o mundo financeiro na quinta-feira aorevelar a fraude recorde. "Jerome Kerviel não está foragido. Ele será interrogado nomomento apropriado, assim que a polícia tiver analisado osdocumentos fornecidos pelo Société Générale", disse um oficialfalando em nome do promotor-chefe de Paris, neste sábado. Na sexta-feira, a polícia visitou a sede da SociétéGénérale, onde Kerviel trabalhava até ser dispensado na semanapassada, recolhendo os arquivos de seu computador, além devasculhar o apartamento em que ele vivia num subúrbio a oestede Paris. A família de Kerviel diz que ele está sendo feito de bodeexpiatório no maior escândalo em transações financeiras domundo. As investigações estão se intensificando, com asautoridades pressionando os executivos do banco francês aexplicar como uma instituição financeira elogiada por seusinovadores e quase perfeitos controles de risco pôde ter sidoenganada por um corretor que atuava sozinho. A ministra da Economia da França, Christine Lagarde, disseno sábado que em breve entregará um relatório aoprimeiro-ministro francês, François Fillon, sobre os problemasdo Société Générale e avaliará se é necessária uma novalegislação para evitar que um escândalo como esse se repita. O relatório vai avaliar "como e por que os controles nãofuncionaram, e quais controles adicionais são necessários,incluindo legislação apropriada para evitar que isso ocorranovamente", disse ela a repórteres durante o Fórum EconômicoMundial, em Davos. Fillon criticou o banco por não avisá-lo mais cedo enquantoo problema se formava. Outros questionaram como os bancos e outras instituiçõesque fizeram negócios com o Société Générale não perceberam oaumento das ilícitas posições abertas no mercado financeiro nasúltimas semanas. Mas um quadro de como Kerviel conseguiu cobrir seus rastrosvem tomando forma gradualmente, após seus chefes falarem àimprensa sobre a fraude. O presidente executivo do Société Générale, Daniel Bouton,comparou o declínio do banco a uma tragédia grega, pois Kervieltentou desesperadamente esconder suas enormes apostas numaqueda dos preços das ações, mas apenas afundou-se mais noprocesso. Durante meses, Kerviel conseguiu manter-se um passo àfrente de seus supervisores ao manipular transações fictícias,disse Bouton em entrevista à edição de sábado do jornalparisiense Le Figaro. Jean-Pierre Mustier, chefe da unidade de investimentos doSociété Générale, disse ao Financial Times que o corretorgerenciava centenas de transações escondidas e um número igualde operações falsas de hedge, para dar a aparência de quequalquer perda era contrabalançada. "A cada dois ou três dias, ele mudava as posições.Registrava uma transação que seria fiscalizada em três dias e,antes que isso acontecesse, a substituía por outra", declarouMustier ao jornal. O Société Générale deu queixa à polícia com três acusações--falsificação fraudulenta de registros bancários, usofraudulento de tais registros e fraude por computador. As penasmáximas para as três acusações são detenção entre 2 e 5 anos.

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