Polícia, MP e CVM investigam novo dono da Transbrasil

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, confirmou a informação, antecipada pela Agência Estado, de que a polícia vai fazer uma devassa na vida do empresário Dilson Prado da Fonseca, que comprou a Transbrasil.O mesmo procedimento será tomado também pelo Ministério Público Federal, em Brasília. O procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, vai pedir uma auditoria fiscal no patrimônio pessoal do empresário. "Quem está quebrado não se compromete a fazer este investimento. Por isso há a suspeita de que existe um grupo forte por trás", afirma o procurador.A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando a existência de irregularidades na venda da Transbrasil para Dílson Prado da Fonseca. De acordo com o superintendente de Empresas em Exercício da CVM, Wagner Aquino, o órgão está analisando os resultados de uma investigação sobre as contas da companhia, concluída há dois meses, para verificar se as ações divulgadas nesta semana podem representar prejuízo para os acionistas minoritários da empresa."A CVM está preocupada com a possibilidade de abuso de poder do controlador, com base nas matérias veiculadas na mídia nesta semana", afirmou o superintendente.Além disso, a CVM enviou ofício à Transbrasil solicitando a reformulação do comunicado referente à alienação do controle da empresa, enviado ao órgão no dia 22. No documento, uma série de detalhes ficou sem explicação, como a origem dos US$ 25 milhões a serem investidos "imediatamente" na empresa, e o total de R$ 200 milhões em 180 dias. Nem o número divulgado como o do CPF de Fonseca constava da Receita Federal.Segundo Aquino, a Bovespa também foi alertada sobre transações suspeitas com as ações preferenciais da Transbrasil nos últimos meses. No dia 18 de dezembro, 21.500 ações foram vendidas por R$ 0,32. Dois dias depois, alguém pagava R$ 0,60 pela unidade.Na última sexta-feira, antes da divulgação pública da venda da empresa, 606 ações foram vendidas por R$ 0,80. Segundo especialistas, por se tratarem de ações com pouca liquidez, movimentações pequenas são suficientes para provocar oscilações na cotação.

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