Tba Benedicto/Estadão
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Política ambiental pode ter impacto comercial

Seminário promovido pelo ‘Estadão’ evidencia preocupação com a imagem do País no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2019 | 04h00

A política ambiental passou a ser indissociável da política comercial e a retórica oficial do governo brasileiro está na contramão dos compromissos de desenvolvimento sustentável assinados pelo País nos últimos anos. A avaliação é do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), e foi feita no seminário Agronegócio e Diplomacia Ambiental, realizado ontem em São Paulo (SP).

Entre os compromissos que podem ser questionados está, segundo Barbosa, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e União Europeia. “Dos 21 capítulos do acordo, um fala especificamente sobre desenvolvimento sustentável e tem 17 artigos. O acordo precisa ser ratificado e o momento é delicado para as relações internacionais”, disse o embaixador durante o evento, promovido pelo Estadão em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Ex-embaixador em Washington e em Londres, Barbosa reafirmou que o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada, dificultará as negociações comerciais pautadas em questões ambientais. “A atual percepção externa sobre o Brasil só tem precedentes nas décadas de 1970, 1980, durante governos militares, quando a imagem em relação às questões ambientais e direitos humanos foi muito afetada.”

Como o acordo Mercosul-UE é de interesse para o setor privado, em especial do agronegócio, Barbosa considera que é hora de instituições e companhias começarem a agir. Ele citou o exemplo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que reuniu representantes de 50 multinacionais com operações no Brasil e os encaminhou um documento sobre ações de desenvolvimento sustentável a ser enviado para as matrizes no mundo.

Perigo

O presidente da Abag, Marcello Brito, avaliou que a alta do desmatamento no País, com a perspectiva de que a área suprimida de florestas supere 10 mil quilômetros quadrados em 2019, é muito ruim no atual momento de discussão sobre mudanças climáticas. “O País não pode permitir que um número de dois dígitos de desmatamento seja entregue, algo que não ocorre desde 2004 ou 2005.” Ele ainda ratificou a necessidade de acordos comerciais pautados em desenvolvimento sustentável. / GUSTAVO PORTO

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