Política contra-cíclica não agrada mercados, diz Soros

O megainvestidor George Soros disse hoje que os mercados financeiros teriam uma reação muito negativa se o governo brasileiro adotasse uma política econômica contra-cíclica. "Países como o Brasil, que promovem políticas sólidas, não podem adotar estímulos contra-cíclicos (aumentar os gastos públicos e reduzir os juros em tempos de desaceleração econômica) porque os mercados financeiros teriam uma reação alérgica a isso, e seria contra-produtivo", disse Soros numa entrevista ao ser questionado sobre os desafios da economia global nesse ano. "Por isso, esses países não podem estimular a economia a nível apropriado de crescimento".Segundo Soros, essa limitação ocorre porque "esses países estão crescendo menos do que deveriam e estão atraindo menos investimentos". "Isso ocorre porque eles são submetidos a flutuações cíclicas", disse. Soros voltou a defender a criação pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de novos créditos ou "instrumentos de garantia" para aumentar o "crescimento de países periféricos que estão promovendo políticas econômicas sólidas".ArgentinaSoros criticou a política econômica adotada pela Argentina. Segundo ele, o país não aproveitou o fôlego financeiro que foi propiciado pela moratória da dívida. "O default representou um grande impulso para a Argentina, mas não foi usado de uma maneira construtiva, para reconstruir o sistema financeiro ou para fazer as reformas necessárias", disse.Ele criticou a oferta de proposta de troca da dívida apresentada pelo governo argentino aos seus credores privados. "Estou chocado com a quantidade de credores na Itália e como toda essa gente acabou sendo prejudicada." Segundo Soros,as políticas do FMI para a Argentina, são "confusas".

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