Política de juros traz incertezas ao consumo

O comércio já admite a possibilidade de ter um desempenho mais modesto nas vendas em 2000, se o juro se mantiver em 18,5% ao ano. Neste caso, o crescimento das vendas a prazo ficaria entre 1% e 2% na comparação com 99 e os negócios à vista aumentariam entre 3% e 5%.As previsões iniciais da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) levaram em conta um juro básico de 16% ao ano em dezembro. Nesse cenário, a Associação espera um crescimento entre 3% e 5% nas vendas a prazo e 6% a 7% nas vendas à vista, na comparação com 1999. "Ainda não alteramos as previsões", diz o presidente da Associação, Alencar Burti. Para o economista da entidade, Marcel Solimeo, o ano não está perdido, mas ele deposita boa parte das expectativas no crediário, impulsionado pela redução dos juros. Ele explica que, mesmo com a recuperação do emprego, a massa de salários continua em queda na comparação anual e o grande motor do consumo é o crédito.Solimeo destaca também que a política atual do governo de manutenção dos juros também deixa incertezas quanto à redução dos prazos, fator importante para ampliar as vendas financiadas. O economista afirma que o prazo médio cresceu um pouco nos últimos 12 meses, de 3,6 para 4,7 meses, mas é insuficiente para impulsionar as vendas. Vendas ficaram abaixo das expectativas No mês passado, o desempenho das vendas a prazo frustrou a expectativa da entidade, que projetava crescimento em torno de 3% em relação a maio de 99. O número de consultas ao SCPC (Serviço Central de proteção ao Crédito) fechou o mês com alta de 1,5% em relação a maio do ano passado. Se for levada em conta a média diária de registros, houve queda de 2,5% na comparação anual.A taxa de crescimento acumulado do crediário que estava em 14,7% até abril, perdeu ritmo e cresceu 11,4% até maio. Nos negócios à vista, as consultas em maio cresceram em ritmo mais lento na comparação anual, com acréscimo de 6,8% no mês inteiro e de 2,7% na média diária. Em abril, o volume de consultas havia aumentado 10%, ante o mesmo mês de 99. O economista da ACSP, Emílio Alfieri, pondera que a desaceleração no ritmo das vendas começou a ocorrer a partir do mês passado. Isso porque a base de comparação deixou de ser fraca a partir de maio de 99, quando as vendas começaram a reagir, depois do choque da desvalorização. Ele argumenta que, mesmo que as vendas empatem daqui para frente, o comércio recupera as perdas ocorridas após a mudança do câmbio.

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